7 de janeiro de 2026
Ataque dos Estados Unidos à Venezuela alimenta ato do 8
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A invasão da Venezuela, no último sábado, deu novo fôlego aos atos convocados pelo governo e movimentos sociais para marcar o 8 de Janeiro, data em que a tomada das sedes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário brasileiros completa três anos. “Sem dúvida, o ato do governo adquire nova dimensão. As duas principais bandeiras do ato são soberania e democracia. E a soberania da Venezuela foi agredida e vilipendiada. Portanto, ganha uma dimensão política muito forte”, comenta o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE). Ele e outros políticos chegam a Brasília, nesta segunda-feira (5/1), a fim de ajudar na organização e mobilização do evento.

Os atos, na prática, servirão para marcar a entrada da crise da Venezuela na pré-campanha eleitoral deste ano aqui no Brasil. Com a maioria dos adversários de Lula defendendo a atitude do governo de Donald Trump de invadir o país vizinho, sequestrar e prender seu presidente, os petistas consideram que é preciso deixar claro que, embora Nicolas Maduro fosse um ditador, os problemas venezuelanos devem ser resolvidos pelo povo daquele país, e não pelo governo dos Estados Unidos.

A crise da Venezuela deu mais visibilidade aos movimentos em prol da soberania e da democracia, mas o PT havia programado atos em todo o país, como forma de protesto contra a dosimetria das penas dos condenados pela tentativa de golpe de Estado e pelo quebra-quebra de 08 de janeiro de 2023, aprovada no ano passado pelo Congresso. O presidente Lula deve vetar a proposta, atendendo a pedidos de seus apoiadores mais fiéis, que estarão nas ruas para lembrar a invasão dos Poderes. A solenidade no Planalto está marcada para 10h30. Manifestantes planejam se reunir na praça dos Três Poderes.

Um dos objetivos dos atos programados para esta quinta-feira é refrescar a memória dos brasileiros sobre o período difícil que o país viveu naquele fim de ano, com ameaça de bomba no aeroporto de Brasília na véspera de Natal e ônibus queimados no dia da diplomação de Lula. A avaliação é a de que, com o senador Flávio Bolsonaro no papel de pré-candidato ao Planalto, será importante lembrar que o pai do senador, o ex-presidente Jair Bolsonaro, está preso, condenado a 27 anos de cadeia por comandar a tentativa de golpe de Estado.

O Supremo Tribunal Federal (STF) também fará uma solenidade na quinta-feira, a partir das 14h30, que tem até título: “Democracia inabalada: 8 de janeiro, um dia para não esquecer”. A programação inclui uma exposição de fotos, a exibição do documentário Democracia inabalada – Mãos da reconstrução, seguida de uma roda de conversa com jornalistas.

Campanha

O PT vai aproveitar esses atos para reunir material a ser usado na propaganda política de seus candidatos. Quem acompanha as redes sociais dos políticos tem a certeza de que a campanha já começou. Neste fim de semana, por exemplo, nenhum dos pré-candidatos deixou de se manifestar sobre a crise da Venezuela. Considerado a melhor aposta do bolsonarismo, apesar da pré-candidatura lançada de Flávio Bolsonaro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), comentou, por exemplo, que o regime de Nicolás Maduro só durou tanto tempo porque “houve conivência, omissão e apoio explícito de quem insistiu em chamar um ditador de companheiro”. Tarcísio não citou Lula, mas a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, respondeu: “Tarcísio Freitas, que vestiu boné do Trump, comemorou o tarifaço que ele impôs contra o Brasil, apoiou a traição de Eduardo Bolsonaro à pátria, defendeu a anistia aos golpistas condenados, agora tem o desplante de responsabilizar Lula pela invasão dos EUA à Venezuela. É muito cinismo para um bolsonarista só”. É nessa toada de ataques que a primeira semana cheia de janeiro abre o ano eleitoral.

* Fonte: Correio Braziliense

Fonte: https://oimparcial.com.br/noticias/2026/01/ataque-dos-estados-unidos-a-venezuela-alimenta-ato-do-8-de-janeiro/