A força-tarefa que busca os irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, alcançou um ponto crucial na investigação nesta sexta-feira (16). Cães farejadores confirmaram que as crianças passaram pelo menos uma noite em um abrigo rudimentar, conhecido na região como “casa caída”, localizado no povoado São Raimundo, zona rural de Bacabal.
A estrutura, feita de barro, madeira e palha, fica às margens do rio Mearim e costuma ser utilizada como ponto de apoio para pescadores. No interior do local, as equipes encontraram um colchão, botas e um banco. Embora a distância em linha reta da comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos — onde os irmãos sumiram — seja de 3,5 km, as autoridades estimam que as crianças tenham percorrido cerca de 12 km devido às dificuldades do terreno, que inclui trilhas, lagoas e mata fechada.
O relato da testemunha
O abrigo foi identificado após o depoimento de Anderson Kauã, de 8 anos, primo das crianças, que foi localizado no último dia 7 de janeiro. Acompanhado por uma equipe do Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA), o menino relatou que o trio pernoitou no local.
Segundo Anderson, ele deixou os primos na casa e saiu sozinho em busca de ajuda, sendo encontrado a cerca de 500 metros dali por um carroceiro. O Secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, destacou a precisão do relato da criança:
“Os cães farejadores identificaram a presença das três crianças e confirmaram a descrição de Kauã, indicando inclusive por qual lado da casa cada uma entrou. É um ponto inicial de informações concretas.”
Investigação e perímetro de busca
A perícia realizada no abrigo indicou que apenas as crianças estiveram no local, sem sinais da presença de adultos. Os proprietários das casas vizinhas, utilizadas sazonalmente para plantio e pesca, residem na zona urbana de Bacabal, mas a polícia ainda não detalhou se eles serão convocados para prestar depoimento.
Após os cães vasculharem uma ribanceira e o entorno de um lago próximo ao abrigo sem encontrar novos vestígios, a operação decidiu expandir o perímetro de buscas.
Mobilização e perda na equipe
A operação de resgate conta atualmente com mais de 500 pessoas, entre agentes de segurança e voluntários. O contingente recebeu reforços na última quarta-feira (14), com a chegada de especialistas e cães farejadores dos estados do Pará e Ceará.
Entretanto, a força-tarefa sofreu uma baixa na madrugada de quinta-feira (15). A cadela farejadora Iara, do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará, que auxiliaria nos trabalhos, morreu durante o deslocamento para o Maranhão.
As causas da morte do animal não foram divulgadas. As buscas continuam concentradas em trilhas e veredas da região, na esperança de encontrar novos sinais que levem ao paradeiro de Ágatha e Allan.
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Fonte: https://oimparcial.com.br/noticias/2026/01/caes-farejadores-confirmam-passagem-de-irmaos-desaparecidos-em-abrigo-na-zona-rural-de-bacabal/
