30 de janeiro de 2026
Crise no transporte público: entenda por que as greves de
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São Luís amanheceu sem ônibus nas ruas nesta sexta-feira (30) após os rodoviários da Grande Ilha deflagrarem greve geral. A paralisação atinge tanto as linhas urbanas quanto as semiurbanas. O movimento grevista foi decidido após impasse nas negociações da Convenção Coletiva de Trabalho entre a categoria e o setor patronal.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Maranhão (Sttrema), mesmo após quatro rodadas de negociação, não houve apresentação de uma proposta considerada aceitável. A principal reivindicação dos rodoviários é um reajuste salarial de 15%.

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O transporte na Grande Ilha funciona em um delicado equilíbrio de forças. De um lado, o Sindicato das Empresas (SET) alega que os custos operacionais (combustível, manutenção e folha) superam a arrecadação da tarifa pública (congelada em R$ 4,20). Do outro, a Prefeitura tenta evitar o aumento da passagem injetando milhões em subsídios diretos. No meio, os rodoviários paralisam as atividades sempre que o acordo coletivo trava ou os salários atrasam, deixando quase 700 mil usuários à mercê de transportes alternativos.

Linha do tempo: de 2025 a 2026

Fevereiro de 2025: greve geral

  • 17 de Fevereiro: Rodoviários iniciam uma greve geral paralisando 100% da frota.
  • 18 de Fevereiro: A Prefeitura de São Luís anuncia medidas emergenciais, incluindo a autorização para transporte por aplicativos e a tentativa de contratar novas empresas em caráter emergencial.
  • 20 de Fevereiro: Após mediação da Justiça do Trabalho, a greve é encerrada. Ficou decidido um reajuste salarial de 7% e um aumento de 10% no ticket alimentação. A frota volta a circular com promessas de novos repasses públicos.

Maio a Outubro de 2025: o ciclo dos subsídios

  • Durante o ano, o sistema foi mantido por “balões de oxigênio” financeiros. A prefeitura aumentou o valor do subsídio por passageiro (que chegou a cerca de R$ 1,35 em alguns períodos) para manter a tarifa em R$ 4,20.
  • Em Outubro de 2025, o prefeito Eduardo Braide assina decreto abrindo crédito suplementar de mais de R$ 2,5 milhões para o Fundo Municipal de Transportes para cobrir déficits das empresas.

Novembro e Dezembro de 2025: o início do novo impasse

  • O Sindicato dos Rodoviários (STTREMA) envia a pauta de reivindicações para a Convenção Coletiva de 2026. Entre os pedidos estão reajuste salarial acima da inflação e manutenção do emprego dos cobradores.
  • As empresas (SET) alegam não ter margem financeira sem um novo aumento de tarifa ou maior aporte da prefeitura.

Janeiro de 2026: a nova greve

  • Início de Janeiro: O SET notifica a Prefeitura sobre o atraso no pagamento dos subsídios de dezembro (cerca de R$ 6,1 milhões). Empresas ameaçam não pagar a folha integral.
  • 26 de Janeiro: Paralisações pontuais começam em garagens específicas (como a Expresso Rei de França) por atrasos salariais.
  • 29 de Janeiro: Após reuniões infrutíferas, os rodoviários confirmam greve geral.
  • 30 de Janeiro (Hoje): A Grande São Luís amanhece sem ônibus. A categoria exige o cumprimento da convenção coletiva e as empresas alegam insolvência sem o repasse municipal.

Principais problemas atuais

O sistema só sobrevive se a prefeitura pagar às empresas a diferença entre a “tarifa técnica” (o custo real) e a “tarifa pública” (o que o passageiro paga). Trocas constantes no comando da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes dificultam o planejamento a longo prazo.

Apesar dos novos ônibus entregues, a idade média da frota em várias linhas ainda é alta, gerando reclamações constantes de usuários sobre quebras e falta de ar-condicionado.

    O Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região (TRT-MA) realiza, às 15h desta sexta-feira (30), uma reunião com representantes de órgãos públicos, sindicatos e do setor empresarial para tratar da paralisação dos rodoviários da Grande São Luís, deflagrada nas primeiras horas do dia.

Fonte: https://oimparcial.com.br/noticias/2026/01/crise-no-transporte-publico-entenda-por-que-as-greves-de-onibus-em-sao-luis-sao-frequentes/