O dia 20 de janeiro é um dos marcos do sincretismo religioso no Brasil. Especialmente no Rio de Janeiro, a data une a tradição católica à herança das religiões de matriz africana, transformando-se em uma celebração única de devoção, resiliência e fé.

São Sebastião: O Mártir da Fé

Soldado romano do século III, São Sebastião tornou-se mártir ao recusar-se a abandonar o Cristianismo. Reconhecido como protetor contra as pestes, a fome e as guerras, sua imagem — atravessada por flechas — simboliza a coragem inabalável diante da opressão. Para os devotos, ele é um farol de esperança em batalhas pessoais e coletivas.

  • Gesto Simbólico: Acenda uma vela branca (paz) ou vermelha (coragem) em um local seguro. Coloque ao lado um copo com água cristalina, simbolizando a purificação.
  • Oração: “Glorioso mártir, que enfrentastes as flechas com fé inabalável, protegei-me contra as pragas do corpo e da alma. Que vossa coragem seja o meu escudo e vossa luz afaste de minha família toda a peste e desunião. Amém.”

Oxóssi: O Senhor da Fartura

Na Umbanda e no Candomblé, celebra-se Oxóssi, o Rei das Florestas e Senhor da Caça. Orixá do conhecimento, da cura pelas ervas e da abundância, ele é o “caçador de uma flecha só”, representando a precisão e a inteligência necessárias para o sustento. Sua energia ensina a paciência, a observação e o profundo respeito à natureza.

  • Oferenda Simbólica (Axoxô): Uma das homenagens tradicionais é o milho vermelho cozido, enfeitado com fatias de coco seco. Frutas frescas, como uvas verdes e maçãs, dispostas em cestas de vime sobre folhas de samambaia, também são formas de honrar sua energia.
  • Saudação e Prece (Oke Arô!): “Pai das florestas, caçador certeiro e sábio. Peço que nunca falte o pão em minha mesa e que vossa flecha aponte sempre para o caminho da evolução. Que a fartura do vosso axé preencha minha casa. Oke Arô!”

Sincretismo

A conexão entre ambos vai além do calendário. No Brasil, a associação de Oxóssi a São Sebastião ocorreu porque ambos são representados como guerreiros e utilizam a flecha como símbolo (seja como instrumento de caça ou instrumento de martírio). Essa união reflete a resistência cultural e a riqueza da espiritualidade brasileira, onde diferentes caminhos se cruzam em busca de proteção e prosperidade.