
A partir deste mês, os Estados brasileiros aumentarão a taxa do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) cobrado em pedidos internacionais, de 17% para 20%. O acordo foi estabelecido em dezembro de 2024 no âmbito do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz).
O efeito dessa alteração no custo final dos produtos importados é uma preocupação para consumidores e especialistas. De acordo com Carlos Eduardo Navarro, docente da pós-graduação em Direito Tributário da FGV, o impacto pode ser considerável, já que o ICMS importado incide sobre uma base de cálculo extensa, que engloba não só o preço do produto, mas também o frete e outros impostos.
“Esses 3% de aumento de alíquota vão ter um efeito muito grande quando comparados exclusivamente ao preço do produto. No entanto, essa medida pode aumentar a competitividade de empresas brasileiras, uma vez que produtos similares disponíveis no mercado interno tendem a se tornar mais atrativos aos consumidores”, explica Navarro.
Natasha Giffoni Ferreira, sócia do escritório Volk & Giffoni Ferreira Advogados, destaca que há preocupação de que o aumento do ICMS tenha efeitos similares aos da chamada “taxa da blusinha”, implementada pelo governo federal.
“O aumento da alíquota pode levar a um crescimento na arrecadação dos Estados, mas também pode desencadear uma redução das importações, como ocorreu anteriormente. No entanto, considerando que o mercado já se ajustou à taxa da blusinha, a expectativa é que o impacto seja menor e que os produtos importados continuem competitivos em relação aos nacionais”, afirma Giffoni.
Rafael Balanin, sócio da área tributária do escritório Gasparini, Barbosa e Freire Advogados, explica que, apesar do acordo entre os estados, a efetiva implementação do reajuste depende de aprovação pelas Assembleias Legislativas locais.
“A decisão de aumentar a alíquota visa padronizar a carga tributária e fortalecer a competitividade dos produtos brasileiros. No entanto, alguns Estados já aplicavam a alíquota de 20%, o que significa que, para importações feitas nessas regiões, não haverá aumento na carga tributária”, esclarece Balanin.
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Cálculo do ICMS e impacto nos preços
Para entender o impacto do aumento, considere um produto comprado por R$ 100,00, com um Imposto de Importação de 20%. Com a alíquota do ICMS a 17%, a soma dos tributo era de R$ 24,58. Com o novo percentual de 20%, esse valor sobe para R$ 30,00, um aumento de aproximadamente 22% na parcela referente ao ICMS.
Mesmo com alta na tributação, a competitividade dos produtos importados frente aos nacionais ainda é uma questão a ser avaliada. Especialistas alertam que o impacto final nos preços dependerá também de como as empresas ajustarão suas margens de lucro e custos operacionais.
*Fonte: Correio Braziliense
Fonte: https://oimparcial.com.br/noticias/2025/04/estados-brasileiros-aumentam-icms-sobre-encomendas-internacionais-de-17-para-20/