23 de janeiro de 2026
Suspeito de matar entregador a pedradas é preso em São
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A violência letal segue como um dos principais desafios da segurança pública na Grande Ilha. Até o dia 21 de janeiro de 2026, foram registrados 22 homicídios nos municípios que compõem a região metropolitana de São Luís, segundo o Relatório Quantitativo Diário de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) e Outras Mortes, divulgado pela Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA). O número representa uma média de uma morte por dia desde o início do ano.

Violência nos quatro municípios da Ilha

Os dados englobam ocorrências classificadas como homicídio doloso, latrocínio e lesão corporal seguida de morte, indicadores utilizados nacionalmente para mensurar a violência letal. A concentração dos registros nos primeiros 21 dias do ano reforça a preocupação de especialistas e autoridades quanto à necessidade de intensificação das políticas de prevenção e repressão ao crime. No ano passado, neste mesmo período, também foram registrados 22 homicídios.

A Grande Ilha é formada pelos municípios de São Luís, São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa, áreas que concentram alta densidade populacional e desafios históricos relacionados à desigualdade social, expansão urbana desordenada e disputa territorial entre grupos criminosos. Esses fatores costumam impactar diretamente os índices de violência, sobretudo nos primeiros meses do ano.

Datas mais violentas

O relatório aponta que as datas mais violentas foram os dias 1º, 15 e 17, quando foram registrados três homicídios no primeiro dia, e quatro nos demais.

Essa onda de criminalidade que pode, como vem sendo ventilado em grupos de redes sociais, ser associada a crime organizado ou guerra de faccionados, segundo Nelson Melo, jornalista e autor de dois livros sobre facções criminosas no Maranhão, deve ser objeto de investigação da Polícia Civil, responsável pelos casos.

“Mas o que a gente pode dizer é que a maioria dos homicídios tem relação com facções criminosas, seja por meio dessa guerra entre grupos ou por conta da dinâmica interna de uma facção. Por exemplo, reparo de alguma coisa que saiu do controle, como é o caso das mortes por dívida de droga, ou aquelas mortes que ocorrem no âmbito dos tribunais do crime. E aí, geralmente, quando tem uma onda de violência, isso pode ser o resultado do fato de uma facção ter sido extinta, e aí as facções que continuam existindo vão disputar as antigas áreas dessa facção que se desintegrou. Como foi o caso aqui em São Luís, na Grande Ilha, que o primeiro comando do Maranhão, o PCM, foi extinto, e aí, o Bonde dos 40 e o Comando Vermelho começaram a disputar esses territórios que pertenciam ao PCM. Isso aí desencadeou uma onda de assassinatos”, comenta.

Facções comandam à violência

O jornalista destaca que na Grande Ilha existem duas facções: o Bonde dos 40 e o Comando Vermelho.

“As duas facções querendo os territórios que pertenciam ao PCM. E quando se fala de Maranhão, entra mais uma, que é o PCC (Primeiro Comando da Capital), que está em vários municípios aqui do Maranhão, Imperatriz, Bacabal, Barreirinhas. Na ilha, o PCC não tem atuação. Existem muitas gangues no interior do Maranhão, e aí se faz confusão com facção. Mas facção mesmo são duas na Ilha e três no estado. O conceito de gangue é muito diferente do conceito de facção, porque facção remete a organização criminosa, tem que ter uma estrutura financeira, uma estrutura hierárquica bem delimitada, representantes no presídio. E isso as gangues não tem”, explica Nelson Melo.

Reforço na segurança

O governo informou que desde 2022, foi intensificado o reforço operacional com a entrega de mais de 840 viaturas, convocação e nomeação de novos policiais militares, civis e peritos criminais, além da ampliação de investimentos em tecnologia, equipamentos e outros instrumentos essenciais ao fortalecimento das ações de segurança.

Em entrevista concedida no fim do ano, o governador Carlos Brandão assegurou que os investimentos seguirão firmes ao longo de 2026 para que os índices de violência no estado continuem em queda. “Com planejamento estratégico, temos reestruturado e modernizado todo o nosso sistema de segurança estadual e, em 2026, vamos seguir com as obras e também abrir novos concursos para mais policiais militares, civis, investigadores e para o Corpo de Bombeiros”, assinalou.

Além dos crimes letais, com redução de 6,5%, e seguindo a tendência de 2024, o Maranhão registrou reduções significativas nos crimes patrimoniais. O roubo de celulares apresentou a maior queda em números absolutos, com redução em todos os meses do ano. Foram mais de 5.500 casos a menos, uma diminuição de aproximadamente 30%, passando de 19.586 roubos em 2024 para 14.009 em 2025.

As ações de combate ao narcotráfico e ao crime organizado realizadas pela Polícia Civil e pela Polícia Militar do Maranhão, em 2025, resultaram na apreensão de cerca de 9,6 toneladas de maconha e cocaína prontas para comercialização, representando um aumento de 290% em comparação com as apreensões realizadas no ano passado.

O número de prisões realizadas em 2025 alcançou 13.539 suspeitos, investigados e condenados, representando um crescimento de 25,5% em relação a 2024.

Fonte: https://oimparcial.com.br/noticias/2026/01/grande-ilha-registra-22-homicidios-em-21-dias-media-e-de-uma-morte-por-dia/