19 de janeiro de 2026
Madre Deus: o carnaval de tradição
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O carnaval maranhense é um dos melhores e com grande diversificação, onde o Bairro da Madre de Deus, conhecido como o mais cultural da cidade, se destaca pela sua tradição e comprometimento em fazer um carnaval de boa qualidade. A movimentação carnavalesca, na Madre Deus, se inicia logo no período natalino, em dezembro quando as charangas Máquina de Descascar Alho e C … de Asa e Fuzileiros da Fuzarca, saem às ruas do bairro reunindo milhares de foliões.

Entre tantas brincadeiras, destacam-se a Turma do Quinto, a histórica Fuzileiros da Fuzarca, que este ano completa 90 anos de fundação, o Bicho Terra e outras que muito contribuem para o brilho da significativa festa popular, considerada a mais democrática, visto que todas as camadas sociais (ricos e pobres) brincam à sua maneira, dentro de suas limitações. Algumas antigas brincadeiras, com o passar do tempo e com o avanço da tecnologia, desapareceram.

O Entrudo no Carnaval

O carnaval de Entrudo que foi considerado muito violento, mas que envolvia toda a gente da cidade, era o momento em que os grupos de entrudo atacavam os passantes, indistintamente, jogando-lhes água, tintas e outros líquidos que lhes sujavam as vestes, situação que dava origem a protestos e até brigas, mas, que foi amenizada, anos mais tarde com a invenção do líquido “Sangue do Diabo”, visto que a tinta, depois de lançada, logo desaparecia.

O entrudo foi praticado desde os tempos coloniais e reprimido a partir da segunda metade do Século XIX, dando lugar a outro tipo de entrudo com ênfase para a maisena que até hoje faz parte das brincadeiras nos bairros da cidade, com os foliões jogando-se, mutuamente, o amido de milho mais conhecido do Brasil.

Outras brincadeiras desapareceram, como o bloco do Urso, Chegança, Congos, Caninha Verde, cordões de Baralho, Dominós, Cruz Diabos, Pierrôs, Arlequins e outras. Os fofões perduram, e se constituem como o personagem mais icônico do carnaval maranhense.

O Carnaval na Madre Deus

O carnaval da Madre Deus é o mais movimentado da cidade com grande número de grupos, destacando-se o bloco Bicho Terra, pertencente à Companhia Barrica, comandada por Zé Pereira. A tradicional Escola de Samba Turma do Quinto é uma das mais antigas agremiações carnavalescas da cidade. Sua fundação se deu em 1940 e tem presença marcante no Carnaval do Maranhão, conquistando 17 títulos, apresentando sempre um carnaval esmerado e sua bateria afinada com batucada forte e bom entrosamento entre seus percursionistas.

Os preparativos para o grande desfile da presente temporada, já estão bastante adiantados, conforme o carnavalesco Laércio Belém, a agremiação vai para a passarela do samba com 2.200 componentes, uma bateria com 250 componentes, três casais de mestre sala e porta-bandeira, passistas e a volta da ala mirim.

A Turma do Quinto tem na sua história, uma galeria de grandes compositores destacando-se Bulcão, Zé Pereira “Godão”, Cristóvão Colombo “Alô Brasil”, Zé Leão, Paletó, Mestre Sapo e outros.
Os Fuzileiros da Fuzarca é dirigido pelo folclorista Mestre João. É uma agremiação de grande tradição, fundada no dia 2 de fevereiro de 1936.

Tem na sua composição, a maioria de pessoas da terceira idade e mantém a sua batucada com o ritmo original, sendo muito requisitada e muito aplaudida nas suas apresentações. Mantendo também a sua fantasia nas cores branco e preto.

Os Fuzileiros da Fuzarca é dirigido pelo folclorista Mestre João. É uma agremiação de grande tradição, fundada no dia 2 de fevereiro de 1936. Tem na sua composição, a maioria de pessoas da terceira idade e mantém a sua batucada com o ritmo original, sendo muito requisitada e muito aplaudida nas suas apresentações. Mantendo também a sua fantasia nas cores branco e preto.

Em quase todas as ruas da Madre Deus tem uma brincadeira carnavalesca. Naquele bairro se concentram os blocos tradicionais e organizados, Príncipes de Roma, Unidos da Madre Deus e outros. A Tribo Guarany é um marco da resistência contra a modernidade que já levou à extinção outras agremiações congêneres como os Sioux, Comanches, Apaches e outros que se orientavam nas tribos indígenas norte-americanas.

A Tribo Guarany foi fundada pelo folião “ Zé Ilha”, já falecido e que deixou seu legado Junior, que dá continuidade à luta para não deixar a tradição se acabar. Assim, o carnaval da Madre Deus continua alegrando a cidade e levando para suas ruas grandes multidões de foliões sempre nos finais de semana que antecedem o período momesco.

Evolução da Folia: Os Blocos

Os blocos afros foram inspirados nos grupos congêneres do estado da Bahia, sendo o Akomabu o primeiro do Maranhão, por iniciativa do Centro de Cultura Negra – CCN, objetivando levar para a população a mensagem da raça nesse formato, com brincantes fantasiados em roupas com indicativos tribais africanos, para lembrar suas origens e consagrar a sua luta pela dignidade do povo negro. Depois, em 1990, surgiu no Bairro de Fátima, o bloco Abibimã, com batuque mais forte e defendendo os mesmos propósitos.

Os blocos alternativos também ocupam espaço destacado no carnaval, geralmente formados nas comunidades e se apresentam tocando músicas tradicionais ou autorais, destacando-se entre tantos, o Bicho Terra, da Madre de Deus, com brincantes fantasiados de bichos. Os blocos organizados se apresentam com foliões fantasiados de forma padronizada e animados por uma bateria e com um enredo para suas apresentações.

Os blocos tradicionais surgiram no carnaval, na primeira metade do Século XX, e inicialmente foram conhecidos como Blocos de Tambor Grande ou Blocos de Ritmos, em virtude de sua cadência rítmica e utilização de grandes tambores confeccionados com madeira compensada e cobertos com couro, chamados de contratempo. Os blocos contam também, em suas baterias, com instrumentos de percussão como retintas, cabaças, reco-recos, ganzás, afoxés e agogôs. Os blocos tradicionais se destacam também, pelo esmero na confecção de suas fantasias, geralmente muito luxuosas, e sambas autorais bem elaborados.

Os Corsos

Os corsos foram também muito tradicionais no nosso carnaval. Eram carros ornamentados e que levavam jovens mulheres com fantasias padronizadas e animadas por uma banda com instrumentos de sopro tocando músicas da época. Percorriam as ruas da cidade e o chamado circuito carnavalesco que se estendia da Praça Deodoro, Rua do Sol, Praça João Lisboa, Rua Grande, Rua do Passeio e Praça da Saudade. As participantes atiravam confetes, serpentinas e lança-perfumes nas pessoas que permaneciam nas portas de suas casas, para ver os corsos passar.

Estes corsos desapareceram do carnaval maranhense e o único congênere que resiste é a Casinha da Roça, criada em 1946, por Emídio França que possuía uma oficina de montagem de carrocerias no Monte Castelo. A alegoria até os tempos atuais é montada na carroceria de um caminhão com varas e palhas, no estilo das casas da zona rural do interior.

Ali são expostos os produtos da culinária interiorana e a animação fica por conta de um tambor de crioulas. A Casinha da Roça é ornamentada por cofos, meaçabas, peixes secos, animais vivos em gaiolas de madeiras, arapucas. Mulheres quebram coco babaçu, fazem comida, peneiram arroz e outras atividades próprias do trabalho rural.

Fonte: https://oimparcial.com.br/noticias/2026/01/madre-deus-o-carnaval-de-tradicao/