Nesta segunda-feira (12/1), o Ministério da Saúde, seguindo a orientação da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS), oficializou a decisão de não incluir a vacina recombinante contra o herpes-zóster no calendário público de imunização. Embora o imunizante, aprovado pela Anvisa em 2021, tenha eficácia reconhecida, o entrave é estritamente econômico.
A proposta inicial visava proteger idosos acima de 80 anos e adultos imunossuprimidos. Contudo, o custo estimado para o governo seria de R$ 5,2 bilhões em cinco anos para adquirir as 6,5 milhões de doses necessárias. Mesmo com possíveis descontos, o valor foi considerado insustentável para o orçamento atual do SUS.
Hoje, essa proteção permanece restrita à rede privada, com um custo médio de R$ 1.700,00 pelo esquema de duas doses — um valor proibitivo para a grande maioria da população idosa brasileira.
Carnaval e o risco oculto
À medida que o Brasil se prepara para o Carnaval, a atenção da saúde pública costuma se voltar para viroses respiratórias e ISTs. No entanto, o herpes-zóster, conhecido como “cobreiro”, representa um risco silencioso e cruel em períodos de grande agitação.
O herpes-zóster não é uma doença “contagiada” da mesma forma que uma gripe, mas sim a reativação do vírus da catapora (Varicela-Zóster) que permanece latente no organismo por décadas.
Baixa imunidade e estresse
O Carnaval exige muito do corpo. Noites mal dormidas, má alimentação, consumo excessivo de álcool e o calor intenso podem causar um estresse físico severo,
Para um idoso que se esforça para acompanhar a família ou para um adulto imunocomprometido, esse desgaste pode ser o gatilho para o vírus “despertar”, manifestando-se em erupções cutâneas extremamente dolorosas.
Especialistas em dor, como a Dra. Christiane Pellegrino (anestesiologista do Hospital Sírio-Libanês), explicam que a dor do zóster é frequentemente descrita como um “choque elétrico” ou “fio desencapado na pele”. O risco não é apenas estético. A maior complicação é a neuralgia pós-herpética.
Imagine uma dor que simula choques elétricos ou queimaduras, que persiste por meses ou anos após as feridas cicatrizarem. Para um idoso, isso significa a perda completa da autonomia, depressão e um isolamento social profundo.
As consequências da falta de prevenção
A ausência de uma política de vacinação gratuita gera um efeito cascata negativo para a sociedade e para o próprio Estado, como:
- Aprofundamento da desigualdade: Apenas quem tem alto poder aquisitivo consegue evitar uma dor excruciante, enquanto a parcela mais vulnerável fica à mercê da sorte.
- Sobrecarga hospitalar: A falta da vacina resulta em mais internações por complicações secundárias e maior busca por medicamentos de alto custo para dor crônica nas unidades de saúde.
- Impacto familiar: Uma pessoa com neuralgia pós-herpética muitas vezes requer cuidados constantes, retirando familiares do mercado de trabalho e afetando a renda da casa.
O Ministério da Saúde deixou a porta aberta para futuras negociações caso o preço do imunizante caia, mas, por ora, a prevenção dessa enfermidade continua sendo um privilégio de poucos em um país que se prepara para sua maior festa popular.
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Fonte: https://oimparcial.com.br/noticias/2026/01/ministerio-da-saude-nega-incorporacao-da-vacina-contra-herpes-zoster-por-falta-de-sustentabilidade-financeira/
