O cenário geopolítico na América do Sul atingiu um nível de tensão crítica nesta segunda-feira (5). O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, convocou publicamente a população a defendê-lo contra qualquer tentativa de intervenção estrangeira ou ato violento ilegítimo. A manifestação ocorre em resposta direta a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que sugeriu que uma operação militar em solo colombiano “soa bem”, traçando um paralelo com a ação realizada na Venezuela no último sábado (3).
A crise foi deflagrada após a confirmação de que forças norte-americanas capturaram o ditador venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, retirando-os do país vizinho. Ao ser questionado se planos semelhantes estariam sendo cogitados para a Colômbia, Trump justificou sua posição afirmando que tais medidas seriam motivadas pela alta taxa de letalidade no país, declarando que a intervenção seria uma opção viável diante do contexto local.
Estratégia de resistência e o “Jaguar Popular”
Em uma série de mensagens nas redes sociais, Gustavo Petro demonstrou confiança no apoio popular e instruiu seus seguidores a tomarem o poder em todos os municípios da Colômbia como forma de proteger o mandato presidencial. O mandatário utilizou uma metáfora forte ao afirmar que, caso seja detido, o povo deverá “libertar o jaguar popular”, sinalizando uma mobilização em massa e possivelmente armada contra forças externas.
O presidente colombiano também emitiu uma diretriz clara e específica para as forças públicas do país. Segundo Petro, a ordem é para que soldados e policiais jamais disparem contra a população civil, mas que utilizem toda a força necessária exclusivamente contra quem ele classificou como “o invasor”. A fala reforça a tentativa de Petro de blindar seu governo através da união entre base popular e militares sob uma narrativa de soberania nacional.
Contexto regional após a queda de Maduro
A captura de Maduro por forças dos Estados Unidos alterou drasticamente o equilíbrio de poder na região, gerando reações imediatas em governos alinhados ideologicamente ao antigo regime venezuelano. A postura agressiva de Donald Trump no início de 2026 sinaliza uma mudança profunda na política externa norte-americana para a América Latina, priorizando ações diretas de deposição de líderes considerados hostis ou envolvidos em crises humanitárias e de segurança.
A Colômbia, que historicamente manteve uma aliança estreita com Washington, vive agora um momento de ruptura diplomática sob a gestão de Petro. O endurecimento do discurso de ambos os lados eleva o risco de um conflito de proporções continentais, enquanto a comunidade internacional observa com cautela os próximos movimentos das tropas norte-americanas e a capacidade de mobilização das milícias e apoiadores do governo colombiano.
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Fonte: https://oimparcial.com.br/noticias/2026/01/presidente-colombiano-convoca-populacao-a-resistencia-apos-declaracao-de-trump-sobre-intervencao-no-pais/
