“Queimamos, queimamos/A nossa lapinha/De cravos e rosa/De belas florzinhas”. A música de domínio popular é um trecho da tradicional canção entoada durante o ritual de queimação de palhinhas, o encerramento do ciclo natalino, no Dia de Reis, 6 de janeiro.
Na capital do Maranhão, São Luís, a tradição se mantém. E a regra é clara: se tem presépio, tem queimação de palhinhas. Neste dia 6, e durante todo o mês de janeiro, residências, instituições, igrejas e terreiros realizam o ritual com ladainhas, rezas e orações e, em alguns casos, com lanches como chocolate quente e bolos.
O ritual simboliza o desmonte do presépio, remetendo à visita dos Reis Magos ao Menino Jesus, e permite aos fiéis fazerem pedidos, pagarem promessas e renovarem a fé enquanto a fumaça perfumada da murta (ou outras plantas) sobe, levando preces aos céus, com cantos, ladainhas e forte cunho de cultura popular e fé. As murtas (palhas que são usadas para cobrir o presépio) são queimadas, geralmente em um fogareiro.
“A queimação de palhinha é muito importante para fechar o ciclo do Natal. Os presépios a gente começa a montar desde o final de novembro até a véspera de Natal. E a queimação de palhinha começa a partir do Dia de Reis, que é 6 de janeiro. O ritual é composto de uma ladainha que se canta com o hino da queimação de palhinha. Pegamos as plantas secas da murta que desmontamos do presépio, fazemos os pedidos, agradecemos e nos renovamos para o ano que começa. Servir o chocolate com bolo é uma tradição bem maranhense”, contou o antropólogo, pesquisador e historiador maranhense Sebastião Cardoso, que ainda comentou que o mês de janeiro é de agenda cheia para acompanhar as queimações em igrejas, residências e instituições.
Tradição que se mantém
Nas igrejas, paróquias e comunidades, este 6 de janeiro será marcado por rezas e orações. Na Igreja dos Remédios, na Praça Gonçalves Dias, o ritual será logo após a missa das 18h.
Na Comunidade Matriz Santa Paulina (Residencial Pinheiros) e na Comunidade Nossa Senhora da Conceição (Angelim), os rituais serão às 19h.
A Paróquia São João Batista, no Centro, convida todos os fiéis para um momento de fé, tradição e partilha, que marca o encerramento do Tempo do Natal. “Será uma oportunidade especial para agradecermos a Deus pelas graças recebidas e renovarmos nosso compromisso cristão para o novo ano. Contamos com a presença de todos para vivermos juntos esse momento de oração e comunhão”, convida a paróquia. O ritual será às 19h, na Igreja de Santana, na rua de mesmo nome, no Centro.
Na Igreja de Santo Antônio, também no Centro, a queimação será às 19h. Já no domingo, dia 11, a Igreja do Rosário, na Rua do Egito, no Centro, realiza o seu ritual às 9h.
Os presépios das casas de cultura gerenciadas pelo Governo do Estado farão seus rituais nos próximos dias. O do Museu Histórico e Artístico do Maranhão será no dia 27.
Saiba mais
No Maranhão, a montagem do presépio é feita com materiais rústicos como madeira, pedra, palha, areia e, em especial, a murta. A Ladainha de Nossa Senhora é cantada, com composição do maestro maranhense Antônio Rayol.
A prática remete à visita dos três Reis Magos à manjedoura, um momento central na história do nascimento de Cristo. A fumaça gerada pela queima é vista como um veículo para levar preces e pedidos ao céu, sendo também um momento para pagar promessas.
A manifestação de fé e cultura popular tem registros de mais de 150 anos no Maranhão e presença em algumas cidades portuguesas.
Fonte: https://oimparcial.com.br/noticias/2026/01/queimacao-de-palhinhas-marca-dia-de-reis-em-sao-luis/
