9 de janeiro de 2026
Renee Nicole Good: quem era a mulher morta a tiros
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A mulher morta a tiros por um agente federal de imigração em Minneapolis foi identificada como Renee Nicole Good, uma mãe de três filhos, de 37 anos, que havia acabado de se mudar para a cidade.

Ela era uma poeta premiada e guitarrista amadora, e, segundo a senadora representante do Estado de Minnesota Tina Smith, uma cidadã norte-americana.

Líderes da cidade afirmaram que Good era uma observadora legal das atividades do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE). No entanto, o governo Trump a chamou de “terrorista doméstica”.

A morte de Good desencadeou protestos em todo o país, com muitas pessoas carregando cartazes que diziam “Justiça por Renee”.

Sua mãe, Donna Ganger, disse ao jornal Minnesota Star Tribune que sua filha estava “provavelmente apavorada” durante o confronto com os agentes que resultou em seu disparo fatal e que ela era “uma das pessoas mais gentis que já conheci”.

“Ela era extremamente compassiva”, disse Ganger ao jornal. “Ela cuidou de pessoas a vida toda. Ela era amorosa, generosa e afetuosa. Era um ser humano incrível.”

Seu pai, Tim Ganger, disse ao Washington Post que “ela teve uma vida boa, mas uma vida difícil”.

Uma arrecadação de fundos para a família de Good, que foi estabelecida com uma meta de US$ 50 mil (aproximadamente R$ 290 mil), arrecadou mais de US$ 370 mil em 10 horas.

No que parece ser a conta de Good no Instagram, que agora foi tornada privada, ela se descrevia como uma “poeta, escritora, esposa e mãe”, que está “conhecendo Minneapolis”.

Originalmente de Colorado Springs, ela havia se mudado para Minneapolis apenas no ano passado, vinda de Kansas City.

O Minnesota Star Tribune relata que ela costumava apresentar um podcast com seu segundo marido, Tim Macklin, que morreu em 2023. Eles tiveram um filho juntos, que agora tem seis anos, disse o pai de Macklin ao jornal.

Ela teve outros dois filhos com seu primeiro marido, que falou à mídia dos EUA sob a condição de que seu nome não fosse divulgado. Ele disse que Good não era uma ativista, e que era uma cristã devota que foi para a Irlanda do Norte em missões juvenis quando era mais jovem.

De acordo com a agência de notícias Associated Press (AP), ela havia trabalhado anteriormente como assistente odontológica e em uma cooperativa de crédito, mas nos últimos anos tinha sido principalmente dona de casa.

Good estudou escrita criativa na Old Dominion University em Norfolk, Virgínia, e em 2020 ganhou um prêmio de graduação da Academy of American Poets por sua obra intitulada On Learning to Dissect Fetal Pigs (“Sobre Aprender a Dissecar Porcos Fetais”, em tradução literal).

“Quando não está escrevendo, lendo ou falando sobre literatura, ela faz maratonas de filmes e arte bagunçada com sua filha e seus dois filhos”, diz uma biografia resumida pelo prêmio, conforme citada pela mídia dos EUA. O texto parece ter sido removido agora.

Good graduou-se no mesmo ano na Faculdade de Artes e Letras da universidade com um diploma em Inglês.

Em um comunicado, o presidente da instituição disse que sua morte repentina “é mais um exemplo claro de que o medo e a violência infelizmente se tornaram comuns em nossa nação”.

“Que a vida de Renee seja um lembrete do que nos une: liberdade, amor e paz”, escreveu o presidente da Old Dominion University, Brian Hemphill.

Várias lideranças estaduais disseram que Good estava no local de uma operação do ICE no sul de Minneapolis como observadora legal — uma voluntária que monitora as forças policiais e de segurança em protestos e operações. O objetivo deles é ajudar a manter a calma, deter condutas impróprias e garantir que os direitos legais sejam respeitados.

A mãe de Good disse ao Minnesota Star Tribune que sua filha “não fazia parte de nada” que envolvesse desafiar os agentes do ICE.

Mas autoridades da Casa Branca, incluindo o presidente, disseram que Good não estava apenas observando, como também interferindo no trabalho dos agentes.

A secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, disse que Good estava “perseguindo e impedindo o trabalho deles” o dia todo ao “bloqueá-los” com seu carro e “gritar com eles”.

Good “usou seu veículo como arma”, disse Noem a repórteres, e teria tentado atropelar um dos agentes “em uma tentativa de matar ou causar danos corporais aos agentes, um ato de terrorismo doméstico”.

O agente do ICE temeu por sua vida, disse Noem, e “disparou tiros defensivos”.

Essa história foi apoiada por Trump, que escreveu na Truth Social que “a mulher que dirigia o carro estava muito desordeira, obstruindo e resistindo”.

Ele a chamou de “agitadora profissional” que atropelou “violenta, deliberada e brutalmente” um oficial do ICE. Já o prefeito da cidade disse que o agente que atirou em Good agiu de forma imprudente.

“Tendo visto o vídeo eu mesmo, quero dizer a todos diretamente: isso (a versão de Trump e Noem) é mentira”, disse Jacob Frey. “Este foi um agente usando o poder de forma imprudente, o que resultou em alguém morrendo, sendo morto.

Segundo relatos, Good vivia a apenas alguns quarteirões de onde foi morta, e o local do crime fica a cerca de um quilômetro de onde George Floyd foi assassinado em 2020 por um policial da cidade, desencadeando protestos antirracistas em todo o mundo.

* Fonte: Correio Braziliense

Fonte: https://oimparcial.com.br/noticias/2026/01/renee-nicole-good-quem-era-a-mulher-morta-a-tiros-por-agente-de-imigracao-nos-eua/