7 de janeiro de 2026
Revolta na baixada: Não vai passar!
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No Terminal do Cujupe, o primeiro final de semana do ano se encerrou não com clima de renovação e alegria, mas de insatisfação e revolta dos maranhenses e tantos outros que já enfrentam mais de 15 horas de fila de espera. Para alguns, a espera pelo ferry boat começou a partir do meio-dia, ainda de barriga vazia e enfrentando a sensação térmica de quase quarenta graus.

No início da madrugada, a paciência dos viajantes se esgotou, devido ao cancelamento do embarque das três horas da manhã e à superlotação das viagens anteriores, ocupadas principalmente por vans intermunicipais. O atraso fez com que os motoristas organizassem novas filas independentes no pátio interno, em busca de agilizar e organizar o translado. Na ocasião, carros foram colocados na via que dava acesso à embarcação.

Terminal do Cujupe (Fotos: Yasmim Borges)

Cristiano Souza Diniz, caminhoneiro, traz produtos e alimentos não perecíveis, de Gurupi, para abastecer um supermercado de São Luís. Durante todo o período, saiu algumas vezes para tomar ar fresco, esticar as pernas ou fazer qualquer coisa que fizesse o tempo passar mais rápido.

“A situação não é de hoje, principalmente neste período de final de ano. Não é o certo, mas nós já estamos praticamente acostumados com a demora. É preciso ter uma boa gestão, aumentar a frota de embarcações. Se não for isso, não sei o que pode ser feito para termos um transporte digno”, desabafa.

Vindo de Belém do Pará, distante 16 horas da capital maranhense, Felipe Sauaia veio ao estado em busca de moradia. Com saída às cinco horas, chegou à fila do terminal no começo da tarde deste domingo e definiu a situação como desrespeitosa e desconfortável. “Se eu pudesse, seria a primeira e última vez que venho ao estado do Maranhão. É uma situação caótica. Aqui vemos crianças com fome, idosos e pessoas com deficiência passando por um teste de resistência, no qual tudo o que se pode ver são veículos enfileirados até onde a vista alcança. Na volta, irei pela estrada. Esta é uma situação ímpar que eu não quero ter novamente.”

Bruna Pereira, de 26 anos, é mãe de Kylian, de um ano e oito meses, e veio junto com a cunhada da cidade de Peri-Mirim, mas tiveram de seguir caminhos diferentes. Enquanto uma levava a criança, a outra ficava responsável pelo transporte do carro no terminal.

“Eu não tenho nem notícias dele, já que nem aqui, nem na estrada, temos um bom sinal de internet. A travessia com crianças é bem mais delicada. Com o meu filho, graças a Deus, não aconteceu nada, mas uma criança estava com febre e um rapaz passou mal. Eles foram ao posto de saúde do Cujupe pedir ajuda, mas não havia ninguém. A sorte foi uma ambulância que saiu do ferry e os socorreu. Mas não era para a gente estar passando por essa situação”, explicou.

O primeiro ferry saiu somente às sete horas da manhã, porém uma grande quantidade de carros foi deixada para trás. Para alguns, foi um incidente atípico na rotina constante de idas e vindas dos municípios da Baixada maranhense. Para outros, as horas transcorridas na fila significaram fazer algumas escolhas a partir de então: deixar o veículo em casa e acomodar-se sem muito conforto nas vans de transporte ou driblar o cansaço e aventurar-se nas estradas em direção ao destino.

Fonte: https://oimparcial.com.br/noticias/2026/01/revolta-na-baixada-nao-vai-passar/