Os ataques militares dos Estados Unidos na Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro, na madrugada do último sábado (3), repercutiram entre venezuelanos refugiados no Brasil.
No Maranhão, os desdobramentos reacenderam a expectativa de retorno ao país de origem e a possibilidade de reencontrar familiares separados por uma crise que já dura mais de uma década.
Em um vídeo que viralizou nas redes sociais, o venezuelano Antone Luiz reage, sem conseguir conter as lágrimas, à notícia da captura de Maduro.
O vídeo
Ele deixou a Venezuela em meio à falta de itens básicos e à instabilidade política enfrentada pelo país nos últimos anos. Atualmente, Antone é dono de uma lanchonete de hambúrguer caseiro no bairro Cidade Olímpica, em São Luís. “Hoje é um motivo de felicidade para todo venezuelano que está fora do país. Eu glorifico a Deus. Se ele foi capturado, acredito que a Venezuela vai melhorar”, afirmou.
Hoje é um motivo de felicidade para todo venezuelano que está fora do país. Eu glorifico a Deus. Se ele foi capturado, acredito que a Venezuela vai melhorar
Realidade vivida por milhares de venezuelanos
O depoimento expressa uma realidade vivida por milhares de venezuelanos que migraram para o Brasil e outros países vizinhos deixando família, amigos, emprego e cidade natal.
A separação familiar também é citada por Antone no vídeo, publicado por ele mesmo no perfil da lanchonete. “Muitos venezuelanos não passam Natal com a mãe, com o filho, com a avó. Muitos compartilham um aniversário só pelo telefone, dão um bom dia e dizem que amam a mãe à distância, por culpa de um mau governo”, relata.
Assistência social
No Maranhão, a presença de refugiados venezuelanos passou a ser acompanhada de forma sistemática a partir de 2019, quando grupos começaram a migrar para o estado em busca de condições mínimas de sobrevivência. Os dados são da Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop). Atualmente, 136 venezuelanos residem em São Luís e outros 108 em São José de Ribamar, totalizando 244 pessoas na Região Metropolitana da capital.
Segundo a Sedihpop, cerca de 390 refugiados indígenas já foram atendidos pela secretaria. “Desde 2019, realizamos atendimento contínuo à população venezuelana indígena no Maranhão, com monitoramento dos núcleos populacionais e articulação para garantir o acesso a políticas públicas”.
Entre as iniciativas desenvolvidas estão o acompanhamento dos fluxos migratórios internos, o encaminhamento para políticas públicas de assistência social, saúde, educação, empregabilidade e segurança alimentar, além do agendamento de atendimentos junto à Polícia Federal para a regularização do Protocolo de Refúgio, documento que assegura a permanência regular no Brasil e o acesso a direitos básicos.
A Sedihpop também realiza ações de orientação voltadas ao combate ao trabalho infantil, já que muitas crianças refugiadas são vistas em semáforos ou em situação de exploração, além do incentivo à permanência escolar. O governo do estado promove ainda “a inclusão das famílias em programas sociais e iniciativas de segurança alimentar, como a distribuição de mais de 6 mil refeições, em parceria com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Social (Sedes), beneficiando famílias nos bairros Vila Itamar, Santo Antônio e Vinhais”.
Esperança
Diante do novo contexto político na Venezuela, os imigrantes acompanham com expectativa os próximos desdobramentos. Apesar da esperança de mudanças no país de origem, ainda não há clareza sobre os impactos práticos desse cenário para quem vive fora do território venezuelano nem sobre o futuro político do país.
Antone, no entanto, mantém a esperança e agradece ao Brasil pela hospitalidade. “Eu agradeço ao Brasil porque me acolheu, me ajudou quando eu não tinha nada. E ainda me ajuda. Eu tô aqui só pra agradecer e dizer também: viva a Venezuela. Muito obrigado, Deus. Eu tenho muita fé de que a Venezuela vai se erguer e voltar a ser um país próspero”, afirmou.
Fonte: https://oimparcial.com.br/noticias/2026/01/venezuelanos-refugiados-em-sao-luis-alimentam-esperanca-de-voltar-para-casa-apos-captura-de-maduro/
