O balanço da criminalidade em 2025, divulgado pela Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA), revela um cenário de contrastes profundos no estado. Os quatro municípios da Grande Ilha (São Luís, São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa) encerraram o ano com um total de 307 homicídios, um salto de aproximadamente 30% em comparação a 2024. O crescimento preocupa autoridades e especialistas, que apontam a disputa territorial entre facções criminosas como o principal motor dessa violência.
De acordo com Luís Antônio Pedrosa, vice-presidente do Conselho Estadual dos Direitos Humanos, o aumento já era previsto por indicadores monitorados desde o primeiro semestre de 2024. A análise sugere que a concentração populacional e o controle de rotas de tráfico em áreas periféricas tornaram a região metropolitana um ponto crítico de letalidade violenta, exigindo uma reestruturação nas políticas de intervenção.
Queda de 51% nos assassinatos em Imperatriz
Na contramão da capital, Imperatriz apresentou um desempenho considerado histórico pelas forças de segurança. O município registrou 70 homicídios em 2025, o menor número dos últimos dez anos. O resultado representa um recuo drástico de 51,72% frente aos 145 casos contabilizados no ano anterior, consolidando uma nova realidade para a segurança pública na Região Tocantina.
Estratégias de sucesso e inteligência integrada
O comandante Emerson Costa atribui a redução em Imperatriz à reorganização do Centro Integrado de Operações de Segurança (CIOPS), que em 2025 passou a operar sob uma gestão unificada. Essa mudança permitiu que o monitoramento e o policiamento fossem coordenados de forma mais eficiente não apenas na cidade, mas também em municípios vizinhos como Davinópolis e Senador La Rocque.
Além da inteligência, operações ostensivas como a Impacto e a Ciclone, realizadas conjuntamente pelas Polícias Civil e Militar, foram fundamentais para sufocar as atividades de grupos criminosos.
O comando destaca que, embora 90% das mortes ainda possuam ligação direta com o tráfico de drogas, a repressão qualificada conseguiu conter as execuções. No que tange à violência de gênero, Imperatriz registrou cinco mortes de mulheres no ano, sendo apenas uma tipificada como feminicídio, indicando também um controle sobre crimes passionais.
Gestão municipal e a segurança em São Luís
Os dados de 2025 evidenciam uma crise de segurança na Grande Ilha que não pode ser dissociada da omissão nas políticas públicas municipais. Enquanto o Governo do Estado detém a responsabilidade pelo policiamento ostensivo e investigativo, a Prefeitura de São Luís possui papel fundamental na prevenção primária, área que tem apresentado lacunas graves.
A inércia na iluminação e urbanismo
A relação entre a “teoria das janelas quebradas” e a criminalidade é clara: bairros com iluminação precária e terrenos baldios sem manutenção tornam-se redutos para o tráfico. Em São Luís, o atraso na modernização completa da iluminação pública em áreas periféricas contribui diretamente para a sensação de insegurança e facilita a atuação de facções mencionadas no texto.
Subutilização da Guarda Municipal
Diferente de cidades que reduziram índices de violência, a Prefeitura de São Luís tem mantido a Guarda Municipal em uma função meramente patrimonial (vigilância de prédios públicos). A ausência de um plano de segurança municipal que integre a Guarda ao videomonitoramento inteligente e ao patrulhamento comunitário impede que a prefeitura auxilie no “sufocamento” do crime em áreas comerciais e residenciais.
O abandono social como combustível para facções
O aumento de 30% nos assassinatos reflete a falta de alternativas para a juventude nas periferias. A ausência de investimentos robustos da prefeitura em centros de Juventude e Esporte, que funcionariam como barreira contra o recrutamento do tráfico na capital maranhense.
O apoio social efetivo é fundamental para o enfrentamento de quadrilhas e facções. Onde o Estado é ausente, o crime organizado ocupa o papel de “provedor”, estabelecendo o controle territorial citado por Luís Antônio Pedrosa.
Comparativo com Imperatriz
O sucesso de Imperatriz em 2025 não se deu apenas pela força policial, mas pela integração de inteligência. Em São Luís, nota-se uma desarticulação entre o que a prefeitura executa urbanisticamente e o que a SSP-MA necessita para operar.
Sem câmeras municipais integradas ao sistema estadual e sem uma urbanização que “abra” as comunidades para a entrada de serviços públicos, a capital continuará a ver seus índices subirem.
O salto na violência na Grande Ilha é o resultado de uma segurança pública que tenta remediar com balas o que a prefeitura falhou em prevenir com cidadania. A falta de medidas efetivas em nível municipal torna as operações estaduais meramente paliativas.
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Fonte: https://oimparcial.com.br/noticias/2026/01/violencia-na-grande-ilha-cresce-30-em-2025-imperatriz-registra-queda-historica/
