28 de julho de 2025
Com ida de chanceler aos EUA, Brasil diz que está
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Com a contagem regressiva para a entrada em vigor das tarifas de 50% sobre produtos brasileiros anunciadas por Donald Trump, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou os esforços diplomáticos para tentar reverter a medida. Em nota divulgada na noite desta segunda-feira (28), o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços afirmou que o Brasil está “aberto ao debate das questões comerciais”, mas frisou que a soberania nacional não está em jogo.

“A soberania do Brasil e o Estado democrático de direito são inegociáveis. No entanto, o governo brasileiro continua e seguirá aberto ao debate das questões comerciais”, declarou a pasta em comunicado oficial. Ainda segundo o ministério, a tentativa de negociação vem sendo conduzida desde o anúncio das medidas unilaterais por parte de Washington. “Desde o anúncio das medidas unilaterais feito pelo governo norte-americano, o governo brasileiro, por orientação do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vem buscando negociação com base em diálogo, sem qualquer contaminação política ou ideológica”, acrescenta a nota.

Chanceler brasileiro desembarca nos EUA em meio à crise

Em meio ao impasse comercial, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, chegou nesta segunda-feira a Nova York, onde participa de uma reunião de alto nível na sede da ONU sobre a solução pacífica da questão palestina e a implementação do modelo de dois Estados.

A viagem ocorre em um momento crítico da relação bilateral com os Estados Unidos. Na semana passada, Vieira enviou um emissário a Washington com o objetivo de sondar a disposição do governo estadunidense para abrir um canal de negociação direta sobre as tarifas. Segundo fontes da diplomacia brasileira, o emissário manteve contatos com interlocutores da Casa Branca e reforçou a disposição do Brasil para debater qualquer tema da agenda comercial, desde que haja um interlocutor oficial designado pelo governo Trump.

Até o momento, no entanto, não houve resposta definitiva dos EUA — nem um sinal verde, tampouco um bloqueio formal. Fontes em Brasília avaliam que há um impasse político que contamina o diálogo comercial: a Casa Branca tem condicionado qualquer avanço nas conversas à suspensão do processo contra Jair Bolsonaro, que responde no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito e outros crimes, os quais nega.

Aliados de Trump pressionam por interferência no caso Bolsonaro

O cenário se complica ainda mais diante do envolvimento político direto de Donald Trump na defesa do ex-presidente brasileiro. O atual mandatário dos EUA tem classificado o julgamento de Bolsonaro como uma “caça às bruxas” e tem repetido o discurso sustentado por Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e pelo comentarista político Paulo Figueiredo, que vêm atuando nos bastidores do Partido Republicano para sensibilizar congressistas e membros da gestão Trump.

Paralelamente, senadores brasileiros que estão nos EUA também se mobilizam para tentar conter o desgaste nas relações bilaterais. No domingo (27), eles realizaram uma reunião de alinhamento em Washington. Participaram do encontro os senadores Rogério Carvalho (PT-SE), Carlos Viana (Podemos-MG) e Jaques Wagner (PT-BA), que desembarcaram na capital estadunidense para reforçar a delegação. As agendas oficiais estão previstas para começar nesta segunda-feira, com foco tanto em reuniões políticas quanto em articulações comerciais.

Com o prazo apertado e a retórica política dominando o debate, o governo brasileiro tenta, ao mesmo tempo, proteger seus interesses comerciais e manter sua postura institucional, sem ceder a pressões externas ligadas a questões judiciais internas.

Fonte: https://agendadopoder.com.br/com-ida-de-chanceler-aos-eua-brasil-diz-que-esta-aberto-a-debater-questoes-comerciais-mas-soberania-e-inegociavel/