As eleições de 2026 no estado de Goiás vão colocar frente a frente os dois principais grupos políticos que comandaram o Executivo goiano nas últimas décadas. A corrida eleitoral ao governo deve ter uma “característica de referendo” por causa da alta aprovação do governador Ronaldo Caiado (União).
A atual gestão é aprovada por mais de 80% dos goianos e o desafio do pré-candidato à Presidência da República será transformar a preferência do eleitorado em votos para o vice-governador e pré-candidato Daniel Vilela (MDB).
Em oposição à continuidade do grupo político no Palácio das Esmeraldas, sede do Executivo estadual, o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) lançou a pré-candidatura para 2026 em busca do quinto mandato em Goiás. Perillo deixou o comando nacional do PSDB no final de novembro e deve se dedicar à campanha ao governo goiano.
Segundo a última pesquisa do instituto Real Time Big Data, divulgada em dezembro, Vilela e Perillo lideram a disputa eleitoral com 30% e 26% das intenções de votos, respectivamente, o que configura empate técnico entre os concorrentes — a margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. O pré-candidato do PL, senador Wilder Morais, tem 14% da preferência dos eleitores, tecnicamente empatado com a deputada federal Adriana Accorsi (PT), que soma 12% das intenções de votos.
Morais lançou a pré-candidatura ao governo de Goiás em novembro, ao lado do deputado federal Gustavo Gayer (PL), pré-candidato ao Senado pelo estado goiano. Na esquerda, Accorsi é o nome mais cotado, mas a pré-candidatura petista ainda não foi confirmada.
- Metodologia da pesquisa citada: a pesquisa Real Time Big Data em Goiás foi realizada entre os dias 3 e 4 de dezembro de 2025. Foram feitas presencialmente 1.200 entrevistas. O nível de confiabilidade é de 95% e a margem de erro estimada é de 3 pontos percentuais.
Vice-governador terá que forjar imagem própria diante de opositor experiente
Para o pesquisador em Comunicação e Política Luiz Signates, professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) e da Pontifícia Universidade Católica (PUC), a disputa eleitoral pelo governo do estado reedita forças históricas da política goiana. “Marconi Perillo foi o governador mais longevo da redemocratização, eleito quatro vezes e responsável pela linha sucessória durante cinco mandatos. Já Caiado chega ao fim de dois mandatos com alta aprovação, embora com um volume menor de obras do que o rival”, compara.
Segundo Signates, o papel do vice-governador no processo sucessório tem sido o de manter a coesão da aliança entre MDB e União Brasil, após décadas de rivalidade entre os diferentes grupos políticos. Vilela é filho e herdeiro político de Maguito Vilela, ex-governador goiano, que morreu em decorrência da Covid-19 em 2021, logo após assumir o cargo de prefeito de Goiânia.
Além disso, o vice-governador carrega o capital político do MDB, partido que comandou o estado entre as décadas de 1980 e 1990 com Íris Rezende, um dos principais nomes da política goiana, que também morreu em 2021. Na avaliação do professor, Vilela ainda não construiu uma identidade política própria e terá que consolidá-la após a desincompatibilização de Caiado, que deve deixar o cargo em abril para a disputa presidencial.
“Ele terá uma oportunidade curta, mas inédita, de mostrar quem é como gestor. Ainda assim, considero que sua viabilidade eleitoral depende radicalmente do atual governador”, comenta.
Signates analisa que o desafio de Caiado será transferir os votos para Vilela após oito anos de governo, o que também pode ser afetado pela disputa presidencial, dado o comportamento independente do eleitor brasileiro. “Se Caiado se lançar à Presidência, terá menos tempo para se dedicar a Daniel Vilela, o que pode prejudicar seu desempenho. Se desistir e optar por disputar o Senado, ambos dividirão palanques, o que fortalece o vice-governador”, avalia.
Questionado sobre a repetição da polarização nacional entre PL e PT no estado, Signates minimizou a possibilidade da pré-candidatura aliada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ou de uma coligação de esquerda romperem com o provável confronto entre Vilela e Perillo, símbolos de grupos políticos históricos. “A esquerda em Goiás não tem a mesma expressão eleitoral que Lula tem no país. E uma aliança ampla em torno de Marconi me parece improvável. Por isso, a disputa deve seguir contornos específicos, distantes da lógica nacionalizada”, opina.
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PT e PSB podem articular chapa de esquerda nas eleições ao governo de Goiás
Apesar de a presidente estadual do PT ser citada nas pesquisas e despontar como principal nome da esquerda goiana, Adriana Accorsi não confirma a pré-candidatura ao governo de Goiás. Segundo apuração da Gazeta do Povo, aliados da petista afirmam que ela tem a intenção de concorrer à reeleição à Câmara dos Deputados, enquanto articula uma chapa ao governo de Goiás que possa assegurar um palanque para Lula nas eleições em 2026.
O requisito básico para o grupo político é que o nome escolhido seja do campo progressista e que apoie a reeleição de Lula, assim como a ampliação da bancada parlamentar. Um dos nomes cotados é do ex-governador José Eliton (PSB), em uma articulação com o apoio do vice-presidente Geraldo Alckmin, da mesma sigla.
Pré-candidatos e cotados ao governo de Goiás nas eleições 2026
Daniel Vilela
Principal nome da base governista para 2026, Daniel Vilela é vice-governador de Goiás e herdeiro de uma das famílias mais tradicionais da política do estado.
Daniel Vilela (MDB) (Foto: Adalberto Ruchelle/Governo de Goiás)Marconi Perillo
Ex-governador por quatro mandatos, Marconi Perillo aposta no recall de sua trajetória no estado e na experiência pela liderança do PSDB, como presidente nacional tucano até novembro, quando deixou o cargo.
Marconi Perillo (PSDB) (Foto: Edilson Rodrigues/Arquivo Agência Senado)Wilder Morais
Senador e empresário, Wilder Morais chega como o principal nome aliado a Bolsonaro na disputa de 2026. A pré-candidatura ao governo goiano já foi anunciada pelo PL.
Wilder Morais (PL) (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)Adriana Accorsi
Deputada federal e ex-delegada da Polícia Civil, Adriana Accorsi é presidente do PT no estado e disputou eleição à prefeitura de Goiânia em 2024.
Adriano Accorsi (PT) (Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados)José Eliton
Ex-governador e figura tradicional da política goiana, José Eliton tenta se reposicionar no campo da centro-esquerda após filiação ao PSB.
José Eliton (PSB) (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)VEJA TAMBÉM:
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Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/brasil/corrida-governo-goias-opoe-legado-caiado-perillo-eleicoes-2026/
