
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tem articulado com aliados a possibilidade de disputar a Presidência da República em 2026, informa reportagem da Folha de S. Paulo. A ideia, que ainda é tratada nos bastidores, seria se lançar mesmo sem o apoio do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e em oposição ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), considerado por parte da direita o nome mais viável para enfrentar a esquerda nas próximas eleições.
Eduardo, que está nos Estados Unidos desde fevereiro e não tem data para voltar ao Brasil, acredita que o pai sofre pressão do centrão para apoiar Tarcísio. Segundo ele, uma eventual eleição do governador significaria o esvaziamento do bolsonarismo como movimento político.
Articulação a partir do exterior
Mesmo indiciado pela Polícia Federal em inquérito que apura sua atuação junto ao governo dos EUA contra autoridades do Judiciário, o deputado não descarta registrar sua candidatura do exterior. Ele tem defendido que seria possível disputar o Planalto morando fora do Brasil, desde que mantenha domicílio eleitoral no país, o que é aceito pela jurisprudência.
Eduardo também tenta articular no Congresso uma anistia a bolsonaristas alvos de processos no STF. Se aprovada até abril de 2026, a medida poderia incluí-lo e até abrir caminho para o retorno político do pai.
Obstáculos à candidatura
O maior risco para a estratégia, porém, é uma possível inelegibilidade. Eduardo é investigado no STF e pode ser barrado pela Justiça Eleitoral, caso seja condenado. Além disso, ele estuda sair do PL, principalmente se Tarcísio ingressar na sigla. Nesse cenário, teria de se abrigar em outra legenda até abril de 2026 para se manter apto a concorrer.
Nos bastidores, o deputado admite que só faria sentido uma candidatura própria se a anistia for aprovada, liberando Jair Bolsonaro para entrar na disputa. Caso isso não ocorra, ele considera ser candidato para manter vivo o “movimento” bolsonarista, mesmo sem grandes chances de vitória.
Racha na direita
Mensagens trocadas entre Eduardo e o pai, reveladas pela Polícia Federal, mostraram resistência explícita à candidatura de Tarcísio. O deputado tem dito a aliados que uma eventual vitória do governador enfraqueceria Jair Bolsonaro politicamente.
Seus apoiadores acreditam que uma divisão na direita poderia inviabilizar Tarcísio, a ponto de desestimulá-lo a disputar o Planalto. Nesse cenário, Eduardo manteria a bandeira do bolsonarismo para fortalecer a bancada no Congresso e preparar terreno para 2030.
O clima entre as partes se deteriorou ainda mais nos últimos dias, após fotos de Tarcísio jogando futebol com Gilberto Kassab, presidente do PSD, circularem nas redes. Para o grupo de Eduardo, o gesto foi considerado uma afronta às vésperas do julgamento do ex-presidente no STF.
Disputas internas no clã Bolsonaro
Dentro da própria família, há divergências quanto ao tom das críticas. Eduardo e Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro, intensificaram ataques indiretos a aliados que veem como entusiastas da candidatura de Tarcísio. Carlos chegou a classificar o movimento em torno do governador como oportunismo às vésperas do julgamento de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe.
Já o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem preferido a moderação. Único filho que mora em Brasília, tornou-se o principal interlocutor do ex-presidente com partidos e evita confrontar Tarcísio. “Dos filhos, Flávio é quem mais reflete as intenções do pai”, dizem aliados próximos.
Segundo dirigentes de centro e direita, a ofensiva de Eduardo e Carlos busca garantir que o espólio eleitoral de Jair Bolsonaro permaneça com o clã. Já o ex-presidente, segundo esses interlocutores, estaria adotando postura mais cautelosa e menos radical, em contraste com o discurso inflamado dos filhos.
Às vésperas do julgamento
As movimentações ocorrem em meio à expectativa pelo julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal, previsto para 2 de setembro. A decisão pode selar o destino político do ex-presidente e determinar se ele próprio poderá voltar a concorrer ou se caberá aos filhos a missão de manter vivo o bolsonarismo nas urnas.
Fonte: https://agendadopoder.com.br/eduardo-bolsonaro-cogita-candidatura-independente-a-presidencia-contra-tarcisio-mesmo-sem-apoio-do-pai/