29 de março de 2025
Em Tóquio, Lula se reúne com primeiro-ministro do Japão
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu nesta quarta-feira (26) em Tóquio com o primeiro-ministro do Japão, Shigeru Ishiba.

Lula e Ishiba chegaram ao Palácio Akasaka por volta das 19h10, no horário local (7h10, no horário de Brasília). O Palácio Akasaka, que fica no distrito de mesmo nome em Tóquio, é usado pelo governo do Japão para receber chefes de Estado.

Em fala após o encontro, Ishiba citou o desejo de ampliar os investimentos no Brasil de empresas japonesas e pontuou o desejo de elevar o patamar da relação entre o país e o Mercosul.

O primeiro-ministro afirmou que Japão e Brasil formarão uma estrutura para discutir formas de ampliar a relação comercial com o bloco sul-americano, cuja presidência rotativa ficará com Lula no segundo semestre deste ano.

Ishiba também informou que enviará especialistas sanitários ao Brasil para avançar nas tratativas a fim de abrir o mercado japonês para a carne bovina produzida no Brasil.

O primeiro-ministro ainda se comprometeu a cooperar com o Brasil nas discussões da Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 30), que acontecerá em Belém (PA) em novembro.

Também em discurso pós-reunião, Lula voltou a afirmar que é preciso ampliar a relação comercial com o Japão para patamares acima dos US$ 17 bilhões registrados em 2011. O presidente também reforçou o desejo de chegar a um acordo comercial via Mercosul.

“Espero lançar negociações de um acordo com o Japão durante a presidência brasileira no próximo semestre”, disse.

Lula lamenta conflitos e crise climática

Lula aproveitou o discurso para, mais uma vez, lamentar a escalada de conflitos pelo mundo. Desde que tomou posse, em 2023, o brasileiro vem criticando a invasão russa na Ucrânia e o confronto entre Israel e grupos terroristas na Faixa de Gaza.

“Nós entendemos que o mundo atravessa uma situação política difícil, uma situação econômica complicada e muita insensibilidade na relação política entre os Estados. Protocolos como o de Kyoto não foram cumpridos, acordos como o de Paris não foram cumpridos e alguns países já desistiram”, disse, citando também acordos ambientais.

Jantar com imperador na véspera

Na terça, Lula e a primeira-dama, Janja, participaram de um jantar com o imperador do Japão, Naruhito, e a imperatriz Masako.

No discurso, Lula elogiou a ligação entre os dois países e disse contar com o “firme engajamento” do Japão na COP 30.

Segundo o governo brasileiro, o Japão recebe Lula como uma visita de “primeira categoria” – a mais alta da diplomacia local, realizada apenas uma por ano, o que prevê a audiência com o imperador.

Lula chegou à Ásia no domingo para uma viagem por Japão e Vietnã, a fim de buscar novas parcerias comerciais para o Brasil.

Fórum empresarial

Antes da reunião bilateral, Lula e Ishiba participaram de um fórum empresarial em Tóquio. Lula lamentou a queda na relação comercial com o Japão de US$ 17 bilhões em 2011 para US$ 11 bilhões em 2024 e defendeu um acordo do Japão com o Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia).

“Em um mundo cada vez mais complexo, é fundamental que parceiros históricos se unam para enfrentar as incertezas e instabilidades da economia global. Estou seguro de que precisamos avançar com a assinatura de um acordo de parceria econômica entre Japão e Mercosul”, disse.

Acordos comerciais desta natureza exigem negociações longas e aprovações dos países envolvidas. O acordo entre Mercosul e União Europeia, por exemplo, é discutido há mais de 20 anos e ainda não foi implementado.

Lula também destacou que considera “essencial” para integração a manutenção da isenção recíproca de visto de negócios e turismo entre Brasil e Japão.

O presidente afirmou que é preciso defender a democracia, o livre comércio e o multilateralismo.

“Nós não queremos uma segunda Guerra Fria. O que nós queremos é comércio livre para que a gente possa definitivamente fazer com que nossos países se estabeleçam no movimento da democracia, no crescimento econômico e na distribuição de riqueza”, disse.

Lula também afirmou que seu governo garante estabilidade para investimentos, citou a reforma tributária, os dois anos de crescimento do PIB e sua política econômica para tentar aumentar a renda do trabalhador.

O presidente ainda frisou a importância de ter avanços na proteção ambiental durante a Conferência da ONU para o Clima, a COP 30, que será realizada em novembro em Belém.

Venda de aeronaves da Embraer

Durante o fórum empresarial, Lula citou a venda de 15 jatos E-190 da Embraer à empresa japonesa All Nippon Airways (ANA), com possibilidade de aquisição de mais cinco aeronaves.

“A Embraer tornou-se a terceira maior fabricante de jatos comerciais do mundo e tem mercado importante aqui no Japão. A ANA, maior companhia aérea japonesa, anunciou e fizeram acordo hoje a compra de até 20 jatos E-190 da Embraer, que eu posso dizer ao primeiro-ministro Ishiba que é de muita qualidade os aviões da Embraer. Quem compra 20 pode comprar um pouco mais e quem sabe todas as empresas japonesas podem voar de avião da Embraer”, afirmou.

Segundo o presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, e o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, o negócio gira em torno de R$ 10 bilhões.

Com informações do g1.

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Fonte: https://agendadopoder.com.br/em-toquio-lula-se-reune-com-primeiro-ministro-do-japao/