29 de agosto de 2025
Bancada da bala pretende arquivar PEC da Segurança Pública apresentada
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Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretendem aproveitar o impacto da megaoperação contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) para tentar destravar a tramitação da PEC da Segurança no Congresso Nacional, informa o colunista Igor Gadelha, do portal Metrópoles. A proposta, considerada prioridade pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, foi enviada em abril, mas até agora não avançou na Câmara dos Deputados.

No Palácio do Planalto, a avaliação é que a ação contra o PCC ajudou a melhorar a imagem do governo em um setor onde Lula enfrenta dificuldade de mostrar resultados concretos. Auxiliares presidenciais acreditam que a repercussão positiva pode servir como “gancho” para pressionar parlamentares a acelerar a votação da proposta.

Operação como vitrine

O esforço para capitalizar politicamente a operação ficou claro já na quinta-feira (28), quando o governo federal convocou às pressas uma coletiva de imprensa. Participaram do anúncio o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e os ministros Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública), Sidônio Palmeira (Secom) e Fernando Haddad (Fazenda).

Ao longo do dia, diferentes ministros usaram as redes sociais para destacar a atuação das forças de segurança, enquanto o próprio presidente Lula compartilhou informações sobre a ação. O recado foi o de que o governo federal não apenas acompanhou de perto a ofensiva contra a facção criminosa, mas também se colocou como protagonista da operação.

Segundo fontes palacianas, a estratégia busca reforçar a percepção de que o Executivo está comprometido com a segurança pública, além de gerar pressão sobre deputados e senadores para dar andamento à PEC da Segurança.

O que propõe a PEC da Segurança

A Proposta de Emenda Constitucional, que ainda aguarda votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, cria órgãos autônomos de corregedorias e ouvidorias em nível federal, estadual e municipal. O objetivo é reforçar a fiscalização sobre as forças de segurança, permitindo o recebimento de denúncias e aumentando a transparência na atuação policial.

Para Lewandowski, a aprovação da PEC representaria uma marca para a gestão Lula na área de segurança pública, uma das agendas mais sensíveis para a população e, ao mesmo tempo, um campo onde o governo tem sido criticado pela falta de resultados práticos.

Obstáculos no Congresso

Apesar da disposição do governo em vincular a operação ao avanço da pauta, o caminho no Congresso é incerto. O texto precisa primeiro ser aprovado na CCJ antes de seguir para comissão especial e, depois, para votação em dois turnos no plenário. Até o momento, não há acordo entre lideranças partidárias para acelerar a análise.

Nos bastidores, parlamentares avaliam que, mesmo com a repercussão da operação contra o PCC, a pressão pode não ser suficiente para alterar o ritmo de tramitação de uma PEC, que exige articulação política robusta e apoio expressivo.

Ainda assim, a aposta do Planalto é manter o tema em evidência. Ao vincular a ação contra o crime organizado à necessidade de aprovar novas estruturas de fiscalização, o governo tenta emplacar um discurso de que segurança pública é prioridade — e que o Congresso precisa responder a essa expectativa da sociedade.

Fonte: https://agendadopoder.com.br/governo-quer-usar-operacao-contra-pcc-para-pressionar-congresso-a-votar-pec-da-seguranca/