27 de fevereiro de 2025
“Kids pretos” pressionaram comando do Exército a aderir ao golpe,
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A PGR (Procuradoria-Geral da República) afirmou que os militares chamados “kids pretos” foram usados para tentar convencer os comandantes do Exército a aderirem à tentativa de golpe após as eleições de 2022.

Denúncia da PGR cita o inquérito da Polícia Federal, que mostrou que houve uma reunião para convencer a alta cúpula do Exército a aderir à trama golpista liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Entre os envolvidos, estavam oficiais do Exército, auxiliares de comandantes de regiões e de setores estratégicos, que tinham em comum vínculo com as Forças Especiais da Arma.

“Kids pretos” atuaram para tentar convencer o comandante do Exército e o Alto Comando a impedir que Lula (PT) assumisse a presidência. “Esse grupo da organização criminosa atuou para pressionar o comandante do Exército e o Alto Comando, formulando cartas e agitando colegas em prol de ações de força no cenário político, tudo para impedir que o candidato eleito Lula da Silva assomasse ao Palácio do Planalto. Visava-se manter no Poder o então Presidente Bolsonaro”.

Atuação foi feita em conjunto com influenciadores para atacar os oficiais que eram contra o plano. “A denúncia reporta num dos seus capítulos que certo general de excepcional prestígio na Arma, que comandava batalhão de kids pretos, chegou a assumir, perante o Presidente da República, que, se este assinasse ato formal de rebeldia contra a ordem constitucional, ele o apoiaria, a significar que estaria disposto posicionar o Exército em modo apto para consumar o golpe.”

“Kids pretos” foram denunciados. Entre os “kids pretos” denunciados estão: Hélio Ferreira Lima, Mario Fernandes, Rafael Martins de Oliveira e Rodrigo Bezerra de Azevedo, que estão detidos desde novembro. O policial federal Wladimir Matos Soares também foi detido.

“Kids pretos” são militares da elite. Eles integram o Comando de Operações Especiais (Copesp), do Exército. Esses oficiais são treinados para ações de sabotagem e insurgência popular, conhecidas como “operações de guerra irregular”, segundo reportagem da revista Piauí.

Eles usam gorros pretos nas operações — daí o nome do grupo. Os kids pretos têm como lema “qualquer missão, em qualquer lugar, a qualquer hora e de qualquer maneira”.

O próprio Bolsonaro alimentou o sonho de se tornar também um membro da força especial, em seus tempos de Exército. Pelo menos 26 “kids pretos” participaram do governo Bolsonaro— entre eles os ex-ministros Luiz Eduardo Ramos (Casa Civil) e Eduardo Pazuello (Saúde), e o ex-ajudante de ordens Mauro Cid.

O que diz a denúncia

É a primeira denúncia contra um ex-presidente da República por tentativa de atacar o Estado democrático de Direito. A acusação, inédita, teve como base o inquérito que investigou o ex-presidente e seus principais auxiliares, como os ex-ministros Braga Netto e Augusto Heleno, ambos generais da reserva do Exército. Bolsonaro é acusado de liderar a organização criminosa para tentar se manter no poder, mesmo após a derrota nas eleições de 2022.

PGR apresentou ao todo 5 denúncias contra 34 investigados. Objetivo, segundo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, foi otimizar o andamento dos processos. Bolsonaro foi denunciado junto com os ex-ministros Braga Neto (Casa Civil), Paulo Sérgio Nogueira (Defesa), Anderson Torres (Justiça) e Augusto Heleno (GSI). Além deles, também foram denunciados o ex-diretor-geral da Abin, Alexandre Ramagem e o ex-comandante da Marinha, Almir Garnier.

Os ex-comandantes do Exército, general Freire Gomes, e da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Carlos Baptista Júnior, também depuseram à PF afirmando que Bolsonaro tratou sobre a minuta golpista com eles. Os dois, porém, teriam recusado a proposta. Além disso, a investigação recuperou uma reunião entre Bolsonaro e o general Estevam Theóphilo, em 28 de novembro de 2022, na qual o general teria aceitado a proposta golpista do então presidente. Na época, Theóphilo comandava o Coter, o Comando de Operações Terrestres.

Em nota, defesa de Bolsonaro chama denúncia de inepta e diz que recebeu notícia com indignação. “A inepta denúncia chega ao cúmulo de lhe atribuir participação em planos contraditórios entre si e baseada numa única delação premiada, diversas vezes alteradas, por um delator que questiona a sua própria voluntariedade”, diz o texto.

Com infomrações do UOL.

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Fonte: https://agendadopoder.com.br/kids-pretos-pressionaram-comando-do-exercito-a-aderir-ao-golpe-diz-relatorio-da-pgr/