21 de setembro de 2024
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou a suspensão da campanha “Fé no Brasil”, lançada no início do mês para promover a gestão do PT, a fim de concentrar a comunicação do Palácio do Planalto apenas em materiais relacionados à crise provocada pelas chuvas no Rio Grande do Sul, segundo informações da colunista Malu Gaspar, do Globo.

Os efeitos dessa mudança foram sentidos no último domingo, quando foi veiculada uma peça publicitária nos meios de comunicação e redes sociais destacando a mobilização da União para socorrer a população. A campanha enfatizou a verba empenhada para reconstruir o estado, a distribuição gratuita de doações pelos Correios, a parceria com prefeitos e a importância da solidariedade de voluntários.

A propaganda também abordou os riscos da disseminação de fake news, que “colocam em risco a vida do povo gaúcho”, um dos temas que preocupou o Planalto na semana passada devido ao seu potencial de afetar negativamente a imagem do governo durante a crise no Sul.

A Polícia Federal (PF) abriu um inquérito para investigar a disseminação de informações falsas sobre as chuvas, e a Advocacia-Geral da União (AGU) criou uma sala de emergência para reagir a conteúdos apontados como desinformação pelo governo.

Desde então, as contas oficiais do governo do Brasil e da Presidência – além da própria Secom – compartilharam 85 conteúdos sobre ações do governo para o Rio Grande do Sul no X (antigo Twitter), sem contar “retuítes” de outros ministérios ou canais da União. Lula e a primeira-dama, Janja da Silva, já publicaram 30 vezes sobre o assunto na plataforma desde domingo.

A orientação de empenho total na agenda do Rio Grande do Sul foi seguida por diversos ministérios, como o da Integração e do Desenvolvimento Regional, de Minas Energia, da Fazenda, Defesa e outros. Nos primeiros dias da crise no Sul, Lula foi criticado nas redes sociais e por partidos de oposição, como o PSDB do governador Eduardo Leite, pela demora em visitar o estado – o que só ocorreu no último dia 2, cinco dias após o início das chuvas torrenciais que já provocaram 151 mortes e desalojaram quase 600 mil pessoas.

Agora, as campanhas divulgadas pela Secom desde o início das enchentes incluem iniciativas como auxílios do governo para desabrigados, distribuição de botijões de gás para cozinhas comunitárias e cestas básicas, repasse de verbas, abertura de hospitais de campanha federais e orientações sobre como doar mantimentos e se voluntariar. Também foram destacadas a suspensão da dívida do estado junto ao governo federal e a liberação de R$ 5,75 bilhões do Novo Banco de Desenvolvimento (Banco dos Brics), presidido pela ex-presidente Dilma Rousseff, para o Rio Grande do Sul.

A campanha “Fé no Brasil” foi lançada pela Secom no último dia 1 de maio, no feriado do Dia do Trabalhador, como parte do esforço do governo de romper a barreira da polarização e reverter a tendência de queda na popularidade de Lula nas pesquisas. A campanha visava promover ações e políticas públicas sob a premissa de que as iniciativas beneficiarão todos os brasileiros, e não apenas os que apoiam a gestão petista.

A ideia de união – presente no slogan do governo, “União e Reconstrução” – também foi explorada nas campanhas sobre o Sul. A propaganda de domingo destacou que é “a marca do brasileiro”, afirmando que “somos um só povo” e que o Brasil está “unido” em torno do Rio Grande do Sul. A Secom também tem usado hashtags como #BrasilUnidoPeloRS, ressaltando que o Brasil “é um só país”.

A mudança de estratégia coincide com a decisão de deslocar o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Paulo Pimenta, que é gaúcho, para o Ministério Extraordinário de Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul. A pasta está sob o comando interino de Laércio Portela, secretário-adjunto de Pimenta.

A nova abordagem ocorre no momento em que surgem indicativos de que os efeitos da chuva, como inundações e cheias, ainda afetarão a população gaúcha por meses, além dos impactos de longo prazo na infraestrutura do estado. Segundo a Defesa Civil do RS, 460 dos 497 municípios foram afetados.

Fonte: https://agendadopoder.com.br/lula-suspende-campanha-fe-no-brasil-e-concentra-comunicacao-em-acoes-realizadas-para-amenizar-tragedia-no-sul/