29 de agosto de 2025
Primeiro aluno cotista da Uerj relembra desafios e celebra avanços
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Marco histórico no estado, a Lei de Cotas no Rio de Janeiro completou 25 anos na quinta-feira (28). A data foi celebrada durante audiência pública na Assembleia Legislativa (Alerj), realizada pela Comissão do Cumpra-se, em que os debates reavivaram as memórias de quem foi pioneiro na implementação da política afirmativa.

Entre os relatos mais emocionantes estava o de Helen Barcelos, a primeira aluna cotista da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), que falou das dificuldades enfrentadas nos primeiros anos de implementação do novo modelo.

Helen, que hoje é professora e dedica sua carreira à educação de jovens da rede pública, relembrou as resistências enfrentadas pelos primeiros cotistas, tanto de alunos quanto de professores. Ela contou que, apesar das adversidades, conseguiu conquistar seu espaço e hoje vê cotistas ampliando sua presença em diversos setores

“Ser da primeira turma não foi fácil. Enfrentamos muita perseguição e incompreensão, mas conseguimos vencer”, relembrou Helen. Para ela, o sucesso de hoje é fruto da luta dos primeiros cotistas e do compromisso de instituições como a Uerj.

A trajetória da Lei de Cotas

A Lei nº 3.524/2000 estabeleceu um novo parâmetro no ensino superior fluminense, reservando 50% das vagas das universidades estaduais para estudantes oriundos de escolas públicas. Em 2001, uma outra importante modificação foi feita com a Lei nº 3.708/2001, que destinou 40% das vagas a candidatos autodeclarados negros e pardos.

Para o deputado Carlos Minc (PSB), presidente da comissão e ativo participante da criação da lei, esse foi um passo fundamental para democratizar o acesso ao ensino superior. “Agora, nosso desafio é avaliar o que avançou, onde ainda há gargalos e como podemos ampliar essa política para o futuro”, afirmou.

Desafios enfrentados por cotistas

A reitora da Uerj, Gulnar Azevedo, lembrou que a universidade foi pioneira na implementação das cotas, mas enfrentou muita resistência, especialmente nos cursos mais elitizados. Gulnar destacou que, além de garantir o acesso, a UERJ se empenhou em garantir a permanência dos alunos cotistas, oferecendo auxílios financeiros e bolsas.

Contudo, ela ressaltou que um dos maiores desafios permanece sendo a inserção dos jovens cotistas no mercado de trabalho. “As cotas representam uma política de reparação e de justiça social, mas a universidade sozinha tem limites para garantir que esses alunos se mantenham no sistema”, comentou.

Homenagens a defensores das cotas

Durante o evento, foram prestadas homenagens a dois defensores da Lei de Cotas: Frei David Raimundo dos Santos, fundador da Educafro, e o procurador Augusto Werneck. O frei recebeu a Medalha Tiradentes e o procurador foi agraciado com o Diploma Abdias do Nascimento.

Para Frei David, as cotas são um instrumento crucial para corrigir as desigualdades históricas, mas ele reforçou que ainda há muito a ser feito, especialmente para garantir que os cotistas permaneçam e concluam seus cursos com sucesso.

“As cotas são uma medida radical para mudar uma situação imposta pela classe dominante. É gratificante ver os resultados que conseguimos até agora, mas precisamos fazer mais para que nossos jovens não apenas ingressem, mas permaneçam e concluam seus cursos com sucesso”, disse.

Werneck, por sua vez, ressaltou a força da atuação coletiva na consolidação das políticas de cotas. “A celebração dos 25 anos da lei reflete o esforço de muitas instituições e de diversos movimentos sociais ao longo do tempo. É resultado de muita dedicação para que a ação afirmativa seja efetiva e garanta inclusão”, salientou.

Fonte: https://agendadopoder.com.br/primeiro-aluno-cotista-da-uerj-relembra-desafios-e-celebra-avancos-dos-25-anos-da-lei-de-cotas/