
A Escola Politécnica (Poli) da USP realiza nesta sexta-feira (28), às 17h, a cerimônia de diplomação honorífica de quatro estudantes mortos pela ditadura militar. No dia 3 de abril, próxima quinta-feira, a Faculdade de Educação da USP também fará a diplomação da aluna de pedagogia Lígia Maria Salgado Nóbrega, perseguida e morta aos 24 anos pelo regime ditatorial. Conheça as histórias das vítimas abaixo.
Lauriberto José Reyes
Lauri, como era conhecido entre familiares e colegas, manifestava sua indignação frente às injustiças sociais por meio de artigos publicados no jornal da USP onde estudou na adolescência, O Diocesano. Em 1965, ingressou na Poli, depois morou no Conjunto Residencial da USP (Crusp), onde se tornou diretor cultural, abordando questões culturais e participando de debates sobre a militância política, o Tropicalismo e a criação artística. Também participou ativamente de movimentos políticos e estudantis. Integrou o Movimento de Libertação Popular (Molipo) e fez parte da direção executiva da União Nacional dos Estudantes (UNE), em 1968. Foi morto pela ditadura militar em 1972, próximo de completar 27 anos de idade.
Luiz Fogaça Balboni
Conhecido como Zizo por seus familiares, trabalhou como professor e desenhista e mudou-se para a capital paulista para estudar na Poli, onde cursou até o terceiro ano de Engenharia de Minas. Em 1968, iniciou a sua militância política pela Aliança Libertadora Nacional (ALN), onde lutou pela redemocratização do país e pelos direitos estudantis. Assassinado pelos militares aos 24 anos de idade, a família de Luiz criou o “Parque do Zizo” para homenageá-lo. Atualmente, o local é um refúgio para pesquisadores e deverá ser destinado ao ecoturismo.
Manoel José Nunes Mendes de Abreu
Imigrante português, chegou ao Brasil ainda quando criança com a família que fugia do autoritarismo da ditadura de Salazar. Ingressou na Poli no curso de Engenharia Química. Sua jornada como militante teve início como universitário e fazendo parte da Aliança Libertadora Nacional (ALN), quando se engajou na luta contra as injustiças que o País enfrentava na época. Em setembro de 1971, Manoel, com apenas 21 anos, junto de outros três colegas, foi capturado e foi morto pelos agentes da ditadura.
Olavo Hanssen
Também conhecido como Totó, começou a trabalhar ainda quando criança para auxiliar sua família. Em 1960, foi aprovado na Poli, onde iniciou o curso de Engenharia de Minas. No ano seguinte, ingressou no Grêmio Politécnico, entidade em que iniciou uma trajetória de luta política. Em 1970, foi preso e se tornou mais uma vítima do regime aos 32 anos. Sua história de vida e luta pela redemocratização estão contadas sua biografia Olavo Hanssen: uma vida em desafio.
Lígia Maria Salgado Nóbrega
Lígia foi militante da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares) e uma das vítimas da Chacina do Quintino, no Rio de Janeiro, em 1972. Grávida de James Allen da Luz, um dos líderes da VAR, ela morreu durante um cerco policial à casa 72, no bairro de Quintino. A versão oficial dizia que os militantes resistiram à abordagem, mas investigações recentes indicam que a execução foi arbitrária.
Laudos cadavéricos não encontraram pólvora nas mãos das vítimas, e testemunhas afirmaram que não houve resistência. A Comissão Estadual da Verdade revelou que os militantes foram executados e torturados. A família de Lígia soube de sua morte apenas por meio de uma notícia na televisão, dois dias depois de ser informada de que ela estava viva e ferida.
Diplomação da Resistência
O projeto Diplomação da Resistência, resultado da parceria entre a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP), Pró-Reitoria de Graduação (PRG) e outras instituições, concede diplomas honoríficos a 31 estudantes da USP mortos durante a ditadura militar brasileira, com o objetivo de reparar as injustiças e honrar a memória dos ex-estudantes.
Segundo a Comissão da Verdade da USP, as vítimas fatais na Universidade de São Paulo foram 39 alunos, seis professores e dois funcionários.
Com informações de O GLOBO.
Fonte: https://agendadopoder.com.br/reparacao-historica-usp-promove-diplomacao-de-estudantes-assassinados-pela-ditadura-militar/