O município de Pinhão, a 50 quilômetros de Guarapuava (PR) vive forte expectativa com o projeto do novo resort, que deve reposicionar o distrito de Faxinal do Céu no cenário turístico do estado. A iniciativa promete alterar a dinâmica econômica local e reativar áreas da antiga vila residencial da Copel, desocupada há 14 anos.
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A venda do espaço, anunciada em outubro do ano passado, abriu caminho para investimentos e para a retomada do potencial da região. A área soma mais de 4,5 milhões de metros quadrados, com vila operária, aeroporto e jardim botânico.
“Os estudos encomendados mostram que até o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) vai ser acelerado. O empreendimento vai render emprego e trazer muitos turistas para a nossa região”, espera o secretário de Indústria, Comércio e Turismo de Pinhão, Pierry Ferrari.
A Copel e o governo do Paraná anunciaram, em 2024, que a ABTN Empreendimentos adquiriu o complexo em Faxinal do Céu, com a confirmação da construção de um resort e de um parque temático. Ferrari explica que os projetos podem gerar até dois mil empregos diretos e indiretos.
“Estudos conduzidos por profissionais que atuam no turismo em várias regiões do país mostram as possibilidades do lugar. O plano inclui explorar o turismo aquático e revitalizar áreas com potencial natural”, afirma.
Faxinal do Céu preserva um jardim botânico de referência. O espaço reúne araucárias, imbuias e erva-mate, além de espécies de outros continentes. Trilhas, cachoeiras, paredões de rocha e lagos reforçam o apelo turístico da região. “As casas da vila da Copel serão reaproveitas também. Algumas delas já foram desmontadas, não teriam como ser utilizadas”, explica Ferrari.
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Faxinal do Céu tem história que envolve tropeiros e construção de usina
A formação do território de Faxinal do Céu envolve tropeirismo, imigração e conflitos fundiários. Tropas que seguiam do Rio Grande do Sul para Palmas e Pinhão criaram as primeiras vilas.
A professora de Geografia, Cristhine Fabiola de Ramos, neta da pioneira Josefa Camargo de Melo, lembra que imigrantes europeus chegaram ao lado de caboclos da Guerra do Contestado e, depois disso, foram expulsos do local. “Conflitos fundiários também moldaram o cenário, como o episódio envolvendo a madeireira Zattar, que pressionou moradores analfabetos a abrir mão de suas terras”, explica.
O avanço da Copel na década de 1960 marca outra fase de Faxinal do Céu. A empresa iniciou a construção da usina Governador Bento Munhoz da Rocha Netto, também conhecida como Foz do Areia, localizada no rio Iguaçu, nos anos 1970, e criou uma moderna vila operária. A usina recebeu esse nome em homenagem ao engenheiro e ex-governador do estado e fundador da Copel. Após a conclusão da obra, a vila perdeu função.
Na década de 1990, o governo do Paraná reformou a estrutura e criou a Universidade do Professor, que ofereceu cursos e oficinas de 1995 até 2011. A iniciativa movimentou o local e gerou empregos. O complexo utilizado inclui dois auditórios com capacidade para até mil pessoas e uma ampla área de chalés.
Vila criada para a usina de Foz do Areia ganha novo destino após décadas de mudanças. (Foto: Geneci França/Prefeitura de Pinhão)Turistas poderão visitar usina Foz do Areia
Em novembro de 2024, a Copel renovou a concessão da usina hidrelétrica por 30 anos. A usina é a maior operada pela empresa, com 1.676 megawatts de potência total instalada. Em 2021, começou a reforma e a troca de equipamentos com investimento de R$ 150 milhões.
Agora, um novo projeto vai possibilitar a visitação de turistas na unidade. O projeto de reforma da estrutura para a demanda está em andamento e há uma negociação para que os trabalhadores da obra usem parte das casas da vila em Faxinal do Céu como alojamento.
“Todo esse local é de grande importância para a história do Paraná. Além disso, oferece atrativos naturais que podem encantar o visitante. Não temos dúvidas de que em breve essa região vai receber milhares de pessoas”, diz Ferrari.
Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/parana/vila-fantasma-pode-virar-resort-faxinal-do-ceu/
