
Quem nunca usou o Word para fazer um trabalho acadêmico? Ou o PowerPoint para uma apresentação? Ou, ainda, o Excel para as planilhas financeiras? Por trás desses recursos, há apenas um responsável: a Microsoft, que completa 50 anos nesta sexta-feira (04).
Ao longo da história, a big tech acumula uma coleção de produtos de sucesso – e alguns fracassos também (lembra do Internet Explorer?). Mesmo assim, segue no topo do mercado, sendo avaliada como a segunda empresa mais valiosa do mundo em 2025, atrás apenas da Apple.
Confira alguns dos destaques (e erros) da empresa ao longo dos 50 anos, e o que esperar para o futuro de um dos maiores nomes da tecnologia globalmente.
Os altos e baixos da Microsoft
A empresa foi fundada em 4 de abril de 1975 pelos amigos de infância Bill Gates e Paul Allen. Naquela década, os computadores pessoais estavam começando a se popularizar – e foi justamente nisso que a Microsoft apostou.
Inicialmente, o lema era “um computador em cada mesa e em cada casa”. Mas, como você já deve saber, a big tech não produz os laptops em si. O foco está nos hardwares e principalmente nos softwares que permitem que as máquinas sejam tão úteis no dia a dia.
Foi no final da década de 1980 que a empresa lançou o Microsoft Office (atualmente chamado de Office 365), que até hoje é um de seus produtos de destaque. Nos anos seguintes, o pacote, que inclui Word, Excel, PowerPoint e muitas outras ferramentas para uso na rotina, se tornou o preferido das pessoas ao redor do mundo. Dados da própria big tech revelaram que eram 86,3 milhões de usuários até o final do ano passado.
O sistema operacional da empresa, o Windows, também é o mais famoso do mundo. Um estudo da StatCounter estimou que o sistema é usado por 70,5% dos computadores de mesa globalmente em fevereiro de 2025, contra 15,8% do OS X dos Macs da Apple.
Lucas Gilbert, especialista em negócios digitais, destacou que o domínio de mercado foi um dos segredos para a Microsoft deslanchar e se tornar tão poderosa quanto é hoje. Ao invés de lançar um computador entre tantos outros, lançou um sistema operacional e softwares que estão presentes em quase todas as máquinas do mundo.
Além disso, para Arthur Igreja, especialista em Tecnologia e Inovação, a companhia soube muito bem aproveitar o momento:
A Microsoft revolucionou o mundo da tecnologia ao criar um sistema operacional amistoso. Até então os computadores eram coisa para técnicos, para engenheiros, para nerds. O grande salto foi ter capturado a necessidade de um sistema operacional no momento em que o computador começava a se democratizar nos escritórios e, num segundo momento, na casa das pessoas. Isso se amplifica ainda mais com a chegada da internet.
Arthur Igreja

Mas nem tudo foi positivo
Durante 50 anos, a Microsoft teve grandes sucessos que a tornaram o que é hoje, como o sistema operacional Windows e o pacote Office 365. Nesse tempo, também é natural que a big tech tenha falhado. E muito.
Veja alguns dos ‘erros’ famosos da empresa.
Internet Explorer
Provavelmente, o fracasso mais famoso da Microsoft. O início foi positivo: o navegador foi lançado em 1995 e, no início dos anos 2000, atingiu seu pico de participação de mercado. Segundo uma análise do site WebSideStory, ele era o principal navegador de 95% de usuários do mundo. Nada de fracasso até aí.
O problema é que o domínio durou apenas alguns anos. Falhas de segurança constantes o renderam a fama de um software inseguro, reduzindo a participação de mercado. Com o surgimento do Firefox e do Google Chrome, os números caíram ainda mais.
Em 2022, a Microsoft admitiu o fracasso e anunciou a aposentadoria do Internet Explorer, substituído pelo Microsoft Edge. Mas o novo navegador não teve o mesmo sucesso inicial que o anterior: dados de fevereiro de 2025 do Statcounter, obtidos pelo TechXplore, revelaram uma participação de mercado de 5,3%, muito atrás dos 66,3% do Google Chrome e dos 18% do Safari.

Zune, o iPod da Microsoft
O tocador de música foi criado em 2006 para competir com o iPod, da Apple. Ele tinha um design elegante e funcionava com uma assinatura mensal, mas a empresa rival já tinha uma base de usuários maior e investia mais em marketing e atualizações.
Resultado? As vendas não decolaram e apenas cinco anos depois, em 2011, a Microsoft descontinuou o aparelho.
Windows Phone
A Microsoft já teve um celular próprio! O Windows Phone, lançado em 2010, foi a tentativa da empresa de concorrer com os sistemas operacionais Android e iOS.
Não deu certo. Os sistemas rivais já eram mais famosos na época, com mais aplicativos voltados para os usuários, o que fez com que o celular não decolasse. A dificuldade em atrair desenvolvedores, falta de atualizações e incompatibilidade entre modelos piorou o desempenho do aparelho ao longo dos anos, levando à aposentadoria em 2019.
Também em 2010, teve o Kin, um aparelho celular que passou dois anos em desenvolvimento e foi vendido pela Verizon. Porém, as vendas foram tão baixas que a empresa cancelou o produto apenas três meses depois, antes mesmo do lançamento na Europa (que não aconteceu).

Hotmail
Quem nunca teve um @hotmail.com? O serviço estreou em 1996 como o primeiro e-mail totalmente gratuito, e foi comprado no ano seguinte pela Microsoft. Ele foi muito popular naquela década e nos anos 2000, também devido ao MSN, serviço de mensagens da empresa.
Porém, em 2004, surgiu o Gmail, do Google, com uma oferta maior de armazenamento e mais funcionalidades. O Hotmail parou de ser tão requisitado, mas nunca caiu no esquecimento. Em 2013, ele foi substituído pelo Outlook, que oferece integração com outros aplicativos da Microsoft (como o Teams).
Leia mais:
- Microsoft testa cura contra apagões cibernéticos globais
- Acabou o meme: a tela azul do Windows não será mais azul
- 5 coisas que deixam seu PC Windows mais lento e como resolvê-las
- 7 dicas no Excel que vão transformar você de usuário iniciante a avançado
O segredo da Microsoft para longevidade
A Microsoft teve altos e baixos. Arthur Igreja destacou a habilidade da empresa de escolher suas batalhas e se reposicionar no mercado ao longo do tempo.
As redes sociais ou os celulares próprios podem ter dado errado, principalmente frente à concorrência com a Apple e, mais recentemente, com a Meta. No entanto, a big tech conseguiu antecipar tendências e fez sucesso em outros setores, como os videogames, com o Xbox. Já quando o mercado passou a focar na computação em nuvem, criou o Azure.
Quando foi a vez da inteligência artificial, a Microsoft estava na vanguarda: a companhia foi a primeira a investir nessa área com a OpenAI, que deslanchou com o lançamento do ChatGPT.
Esse foi o segredo da empresa: adaptação às mudanças.
Além disso, Lucas Gilbert chamou atenção para a presença da Microsoft nos bastidores:
Para o público em geral, a Microsoft é um pouco mais discreta. A Apple, por exemplo, tem aquele apelo emocional, quase de lifestyle — todo mundo quer um iPhone. A Meta domina as redes sociais, onde as pessoas passam o dia todo. E a Microsoft? Ela está nos bastidores. Está no Word que você usa para fazer um trabalho, no Excel do seu chefe, no sistema da empresa onde você trabalha, no Teams da sua reunião. Ou seja, ela está em tudo, mas de um jeito mais ‘invisível’. E isso, no fim das contas, talvez seja até mais poderoso: ela é indispensável, mesmo que não seja a estrela do tapete vermelho.
Lucas Gilbert

Qual o futuro da Microsoft?
Tanto para Gilbert quanto para Igreja, o futuro da Microsoft é claro: serviços em nuvem e inteligência artificial:
- No primeiro ponto, a empresa já tem o Azure, que é a segunda plataforma em nuvem mais usada do mundo, atrás apenas do Amazon Web Services;
- Já no segundo, a big tech investe há anos na OpenAI e colhe esses frutos. Isso porque, apesar de não ter começado a corrida de IA com uma tecnologia própria, a Microsoft integrou as ferramentas da desenvolvedora a seus produtos do dia a dia;
- Assim, surgiu o Copilot, IA da Microsoft. Como lembrou Gilbert, não é exatamente um produto novo, mas uma forma de “turbinar” seus produtos já existentes e melhorá-los. Como falamos, a empresa está em tudo, mesmo que não chame tanta atenção.
Os investimentos continuam. A companhia anunciou que vai aplicar US$ 80 bilhões (quase R$ 500 bilhões) em data centers em 2025. Vale lembrar que essa infraestrutura alimenta tanto a IA quanto a nuvem.
O post 50 anos da Microsoft: qual o segredo para o sucesso da empresa? apareceu primeiro em Olhar Digital.
Fonte: https://olhardigital.com.br/2025/04/04/pro/50-anos-da-microsoft-qual-o-segredo-para-o-sucesso-da-empresa/