30 de novembro de 2025
DNA e “tijolos de proteínas” descobertos em asteroide reforçam que
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Uma das hipóteses mais discutidas sobre a origem da vida na Terra propõe que ela pode ter sido iniciada por materiais trazidos do espaço. Segundo essa linha, moléculas prebióticas – compostos surgidos antes de qualquer organismo – teriam chegado aqui transportados por asteroides que caíam com frequência no planeta ainda jovem.

Essa teoria é conhecida como panspermia, termo derivado do grego, em que pan significa “tudo” e spermia quer dizer “semente”. A expressão sintetiza a ideia de que o cosmos estaria repleto de “sementes” capazes de iniciar processos biológicos quando depositadas em mundos adequados.

Em resumo:

  • Moléculas prebióticas podem ter chegado à Terra trazidas por asteroides antigos;
  • Teoria da panspermia propõe sementes químicas espalhadas pelo espaço e dando início à vida;
  • Amostras do asteroide Bennu coletadas pela NASA revelaram compostos essenciais;
  • Equipe identificou aminoácidos variados juntamente com nucleobases fundamentais;
  • Minerais hidratados indicam água antiga favorecendo reações químicas formadoras;
  • Pequenos asteroides poderiam entregar ingredientes essenciais “semeando” a vida no planeta.
Detalhe da superfície do astreroide Bennu: uma verdadeira pilha de escombros. Créditos: NASA Goddard Space Flight Center / University of Arizona

Amostras do asteroide Bennu trazem pistas surpreendentes

Em 2020, a missão OSIRIS-REx, da NASA, pousou em Bennu, uma rocha espacial antiga e pouco modificada desde o surgimento do Sistema Solar, há cerca de 4,6 bilhões de anos. A sonda coletou fragmentos da superfície do objeto e trouxe para a Terra em condições totalmente controladas, evitando qualquer contaminação. As amostras vêm sendo investigadas por cientistas de todo o mundo desde então.

Um grupo de pesquisadores da NASA e da Universidade do Arizona, nos EUA, acaba de publicar os resultados de sua análise no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences. A equipe observou 14 aminoácidos já detectados em análises preliminares, além de sinais de triptofano, um tipo que nunca havia sido identificado com segurança em qualquer material extraterrestre. Além disso, foram detectados cinco nucleobases, estruturas que compõem o RNA e o DNA. 

Isso significa que blocos de construção das proteínas e do código genético apareceram juntos em um mesmo corpo celeste – um achado raro e altamente significativo para a ciência.

Uma pequena amostra do asteroie Bennu exibindo uma crosta branca de sal. Crédito: Angel Mojarro

Rocha-mãe continha água

Os cientistas investigaram ainda como essas moléculas teriam se formado no espaço. As amostras exibiram abundância de filossilicatos, minerais parecidos com argila que se formam apenas na presença de água. Isso indica que, no passado distante, o corpo progenitor de Bennu possuía água líquida em seu interior. A presença provável de amônia nessa água pode ter favorecido reações químicas capazes de gerar aminoácidos e nucleobases a partir de substâncias simples encontradas no meio interestelar.

As imagens que compõem esta animação foram capturadas ao longo de cerca de quatro horas em 4 de dezembro de 2018, durante a primeira passagem da OSIRIS-REx sobre o polo norte de Bennu. Crédito:
NASA/Goddard/Universidade do Arizona

Essas evidências fortalecem a ideia de que pequenos corpos planetários, ainda em formação, podem produzir moléculas essenciais à vida. Ao serem lançados ao espaço e colidirem com planetas como a Terra ainda jovens, esses asteroides teriam funcionado como “entregadores” dos ingredientes iniciais. 

O trabalho também reforça que a origem da vida continua sendo um tema aberto, que depende de peças espalhadas dentro e fora do nosso planeta – que missões como a OSIRIS-REx, aos poucos, vêm começando a revelar.

O post DNA e “tijolos de proteínas” descobertos em asteroide reforçam que a vida pode ter vindo do espaço apareceu primeiro em Olhar Digital.

Fonte: https://olhardigital.com.br/2025/11/30/ciencia-e-espaco/a-vida-veio-do-espaco-achado-em-asteroide-indica-que-sim/