Em outubro de 1604, um fenômeno inesperado chamou a atenção do astrônomo Johannes Kepler, que observava os céus de Praga. Durante sua visualização da constelação de Ofiúco, ele identificou uma luz diferente onde antes não havia nada. O brilho era tão intenso que o objeto se tornou o mais reluzente do céu noturno e pôde ser visto a olho nu durante o dia por mais de três semanas.
O tal ponto de luz era uma supernova, que foi batizada de supernova de Kepler.
Nesta semana, durante a 247ª reunião da Sociedade Astronômica Americana, Jessye Gassel, estudante de pós-graduação da Universidade George Mason, e sua equipe divulgaram um vídeo resumindo 25 anos de atividade do astro em apenas 40 segundos.
Supernova de Kepler durante a história
A SN 1604, também chamada de supernova de Kepler, não foi a primeira a ser observada: uma outra explosão estelar havia sido registrada em 1572. No entanto, a descoberta do astro aconteceu em um período crucial do desenvolvimento científico europeu, ganhando ainda mais relevância.
Após desaparecer do campo de visão humano, o remanescente da supernova só voltou a ser identificado séculos depois, em 1941. Desde então, ela passou a ser acompanhada por diversos observatórios, incluindo o telescópio espacial de raios X Chandra, da NASA, que a monitora continuamente nos últimos 25 anos.

SN 1604 está em movimento
Foi a partir desse conjunto de dados que Gassel, líder do estudo apresentado no evento, conseguiu montar o vídeo. Segundo ele, os registros mostram um processo em andamento, com os restos da supernova interagindo com material que já havia sido lançado no espaço.
Os pesquisadores acreditam que a explosão que deu origem à SN 1604 tenha sido uma supernova do tipo Ia. Esse tipo de evento ocorre quando uma anã branca (o núcleo denso remanescente de uma estrela semelhante ao Sol) acumula matéria de uma estrela companheira até atingir um ponto crítico e explodir. Registros históricos de diferentes regiões do mundo, incluindo Europa, China, Coreia e países árabes, descrevem um brilho compatível com esse tipo de supernova, embora exista a hipótese de que o evento apresente características atípicas.
Assista ao vídeo:
Supernovas ainda são um mistério
Apesar dos avanços, muitos aspectos das supernovas ainda permanecem pouco compreendidos. Brian Williams, do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, investigador principal das observações recentes feitas com o Chandra, defendeu a importância de seguir estudando esses astros:
As supernovas e os elementos que elas espalham pelo espaço são fundamentais para o nascimento de novas estrelas e sistemas planetários. Entender em detalhes como esses eventos ocorrem é essencial para reconstruirmos a nossa própria história cósmica.
Brian Williams
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