29 de janeiro de 2026
Buracos negros estão por trás de tecnologias essenciais do mundo
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Apesar de invisíveis, os buracos negros exercem uma influência profunda sobre o Universo, as galáxias e até tecnologias usadas diariamente na Terra. Mesmo sem poderem ser vistos diretamente, esses objetos extremos ajudam a definir os limites do conhecimento humano e a forma como a ciência interpreta a realidade.

Essa foi a principal mensagem apresentada pela astrofísica Priyamvada Natarajan, da Universidade de Yale, EUA, durante uma sessão do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, na última semana. Especialista em cosmologia e física de buracos negros, ela explicou como décadas de pesquisa teórica mudaram a compreensão do Universo.

Em resumo:

  • Em Davos, na Suíça, astrofísica explicou avanços teóricos na pesquisa de buracos negros;
  • Esses objetos invisíveis influenciam o Universo, as galáxias e as tecnologias cotidianas humanas;
  • Equações relativísticas sustentam funcionamento do GPS e satélites orbitais;
  • Correções temporais evitam erros crescentes na localização terrestre global;
  • Descobertas revelaram buracos negros supermassivos muito precoces no Universo;
  • Colapso direto explica crescimento rápido e impacto filosófico humano.
Priyamvada Natarajan, astrofísica da Universidade de Yale, EUA, em apresentação no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, sobre seu estudo de décadas dedicado aos buracos negros. Crédito: Fórum Econômico Mundial

Segundo Natarajan, o estudo dos buracos negros não ficou restrito aos livros acadêmicos. Pelo contrário, ele influenciou silenciosamente tecnologias modernas que fazem parte da rotina de bilhões de pessoas ao redor do mundo, mesmo sem que isso seja percebido.

Como os buracos negros são úteis no cotidiano da Terra

De acordo com o Space.com, durante a apresentação, a cientista afirmou que esses titãs cósmicos têm uma relação direta com todos nós, destacando como exemplo que as mesmas equações usadas para descrevê-los também são fundamentais para o funcionamento do sistema de GPS. Essas equações fazem parte da teoria da relatividade geral, formulada por Albert Einstein, que descreve como a gravidade surge da curvatura do espaço e do tempo causada pela presença de massa e energia.

Embora os buracos negros representem os casos mais extremos previstos pela relatividade, a mesma matemática é usada para calcular diferenças mínimas no tempo. Essas diferenças afetam relógios em satélites que orbitam a Terra.

As mesmas equações usadas para descrever os buracos negros também são fundamentais para o funcionamento do sistema de GPS na Terra. Elas fazem parte da teoria da relatividade geral, formulada por Albert Einstein. Crédito: Rodrigo Mozelli [gerado com IA]/Olhar Digital

Os relógios dos satélites do GPS funcionam um pouco mais rápido do que os relógios no solo, pois estão sujeitos a uma gravidade menor. Sem correções relativísticas, os erros de localização cresceriam rapidamente, tornando o sistema impreciso.

Apesar de sua importância atual, os buracos negros foram vistos por muito tempo apenas como curiosidades matemáticas. Durante boa parte do século XX, não havia evidências observacionais claras de que eles realmente existissem.

Esse cenário começou a mudar na década de 1960, com a descoberta da fonte de raios X Cygnus X-1. O objeto se tornou o primeiro candidato amplamente aceito a buraco negro, abrindo caminho para novas pesquisas.

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Monstros gigantescos no início do Universo desafiam a ciência

Hoje, os astrônomos sabem que quase todas as grandes galáxias, incluindo a Via Láctea, abrigam um buraco negro supermassivo em seu centro. A massa desses objetos está ligada às características da galáxia onde se encontram.

No entanto, surgiu um grande desafio científico. Observações mostram que buracos negros supermassivos já existiam quando o Universo tinha apenas algumas centenas de milhões de anos, muito cedo para os modelos tradicionais explicarem.

Esses modelos sugerem um crescimento lento, a partir do colapso de estrelas semelhantes ao Sol. Mas o tamanho colossal desses monstros cósmicos antigos indica que outro mecanismo pode ter atuado no início do cosmos.

Observações do Telescópio Espacial James Webb mostram buracos negros do início do Universo que desafiam nossa compreensão atual do cosmos. Crédito: Vadim Sadovski – Shutterstock

Para explicar esse mistério, Natarajan e seus colegas propuseram a formação de buracos negros por colapso direto. Nesse cenário, grandes nuvens de gás primordial colapsaram rapidamente, sem formar estrelas.

Esses buracos negros iniciais teriam massas dezenas ou centenas de milhares de vezes maiores que a do Sol logo após o Big Bang. Isso facilitaria o surgimento de gigantes com bilhões de massas solares em pouco tempo.

Previsões feitas pela equipe indicavam que esses objetos deixariam sinais observáveis, detectáveis por telescópios modernos como o James Webb e o observatório de raios X Chandra, ambos da NASA. Nos últimos anos, essas previsões começaram a se confirmar.

Além do avanço científico, Natarajan destacou o impacto filosófico do estudo dos buracos negros. Para ela, investigar esses fenômenos desperta um senso de humildade cósmica e ajuda a humanidade a compreender seu lugar na vasta história do Universo.

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Fonte: https://olhardigital.com.br/2026/01/29/ciencia-e-espaco/buracos-negros-estao-por-tras-de-tecnologias-essenciais-do-mundo-moderno/