28 de janeiro de 2026
Descubra o “lado bom” de uma possível colisão de asteroide
Compartilhe:

Em dezembro de 2024, foi descoberta uma rocha espacial chamada 2024 YR4. No início de 2025, ela chamou atenção porque tinha chances consideráveis de colidir com a Terra em 2032. Com o tempo, essa probabilidade cresceu, depois diminuiu – até ser praticamente descartada. Agora, o foco mudou: as novas previsões sobre o asteroide indicam que ele tem maiores chances de atingir a Lua.

Como qualquer impacto espacial, o evento pode oferecer riscos, como a deformação de parte da superfície lunar, por exemplo, ou mesmo eventuais quedas de meteoritos na Terra. No entanto, um estudo recente “enxergou o copo meio cheio”, apontando que a colisão pode representar uma oportunidade científica rara. 

Uma visualização dramática de um asteroide atravessando o espaço em direção à Lua, com a Terra visível ao fundo. Imagem gerada por IA / Shutterstock

Segundo a pesquisa, disponível no repositório de pré-impressão arXiv, onde aguarda revisão por pares, o asteroide tem cerca de 4% de chance de colidir com a Lua em 22 de dezembro de 2032. Embora a probabilidade seja baixa, os autores destacam que ela não pode ser ignorada, especialmente devido às consequências científicas e tecnológicas envolvidas.

Liderada por Yifan He, pesquisador da Universidade de Tsinghua, na China, a equipe de cientistas analisou como um impacto desse porte poderia fornecer dados inéditos sobre a estrutura, a composição e o comportamento físico do satélite natural da Terra.

Observar asteroide se chocando com a Lua em tempo real seria algo inédito

O asteroide 2024 YR4 tem em torno de 60 metros de diâmetro. Caso ele atinja a Lua, a energia liberada seria comparável à de uma arma termonuclear de médio porte, superando em milhões de vezes um impacto registrado em 2013, que foi causado por um corpo muito menor.

Para os cientistas que estudam impactos de alta energia, observar um evento desse tipo em tempo real seria algo sem precedentes. Até hoje, esse tipo de fenômeno só pôde ser analisado por meio de simulações computacionais ou registros indiretos.

Asteroide 2024 YR4 passando pela Terra e se dirigindo para um potencial impacto com a Lua. Crédito: NOIRLab/NSF/AURA/R. Proctor

Leia mais:

  • “Molécula da felicidade” detectada no asteroide Bennu ajuda a explicar origem da vida
  • Sonda a caminho de asteroide “destruidor de cidade” faz imagens incríveis da Terra e da Lua
  • Passagem de asteroide em 2029 será visível a olho nu; veja animação

Durante a colisão, grandes quantidades de rocha lunar seriam vaporizadas, formando uma nuvem de plasma e detritos. O brilho do impacto poderia ser observado da Terra, especialmente na região do oceano Pacífico, onde seria noite no momento do evento.

Mesmo após o impacto, o interesse científico continuaria. A rocha derretida na cratera levaria dias para esfriar completamente, permitindo observações detalhadas por telescópios infravermelhos, como o Telescópio Espacial James Webb (JWST), da NASA.

Os pesquisadores estimam que a cratera formada teria cerca de um quilômetro de diâmetro e até 260 metros de profundidade. No centro, haveria uma grande concentração de material fundido, essencial para estudar a formação de crateras lunares.

Comparar essa nova cratera com outras já existentes ajudaria a reconstruir a história de impactos sofridos pela Lua ao longo de bilhões de anos. Isso também contribuiria para entender melhor a evolução do Sistema Solar.

Outro efeito esperado seria um forte “terremoto lunar”, com magnitude estimada em 5,0. Esse seria o abalo sísmico mais intenso já registrado na Lua, superando todos os dados coletados durante as missões Apollo.

A propagação dessas ondas sísmicas permitiria investigar o interior lunar sem a necessidade de explosões artificiais. Assim, seria possível obter informações sobre camadas internas e composição do satélite de forma inédita.

O impacto também lançaria detritos lunares em direção ao espaço. Parte desse material poderia alcançar a Terra, gerando uma intensa chuva de meteoros, especialmente visível no fim de 2032.

As simulações indicam que até 400 kg de fragmentos poderiam sobreviver à reentrada atmosférica. Embora muitos cheguem carbonizados, eles funcionariam como uma grande missão gratuita de coleta de amostras lunares.

O asteroide 2024 YR4 tem entre 40 e 100 metros, de acordo com as estimativas. Crédito: Asteroid Day Brasil

Evento poderia causar chuva de meteoros intensa

No auge do fenômeno, milhões de meteoros por hora poderiam cruzar o céu, com dezenas ou centenas de bolas de fogo visíveis. O espetáculo teria valor científico e também grande impacto visual.

Apesar dos benefícios, o estudo não ignora riscos importantes, ressaltando que a queda de fragmentos sobre regiões como América do Sul, Norte da África e Península Arábica pode causar danos localizados, ainda que pouco prováveis.

O maior perigo, segundo os autores, seria para satélites em órbita da Terra. A nuvem de detritos poderia aumentar o risco de colisões e até desencadear a chamada Síndrome de Kessler, comprometendo sistemas de comunicação e navegação.

Diante desse cenário, agências espaciais avaliam a possibilidade de desviar o asteroide, embora nenhuma missão tenha sido aprovada. Os cientistas destacam que a decisão envolve um dilema entre segurança e perda de uma oportunidade científica única.

O post Descubra o “lado bom” de uma possível colisão de asteroide com a Lua em 2032 apareceu primeiro em Olhar Digital.

Fonte: https://olhardigital.com.br/2026/01/28/ciencia-e-espaco/descubra-o-lado-bom-de-uma-possivel-colisao-de-asteroide-com-a-lua-em-2032/