A inteligência artificial deve saltar dos atuais cerca de 1 bilhão de usuários para mais de 5 bilhões de pessoas até 2030 – o equivalente a dois terços da população global. É o que defendeu Lisa Su, CEO da AMD, em discurso na CES 2026, feira de tecnologia em Las Vegas, na segunda-feira (5).
Segundo a executiva, esse avanço colocará o mundo diante de uma demanda sem precedentes por poder computacional e inaugurará o que ela chamou de era da “YottaScale”, um patamar nunca antes visto na história da tecnologia.
CEO da AMD fez previsões ambiciosas na CES 2026
Durante o discurso, Su destacou que a IA já exerce impacto direto em praticamente todos os setores da economia, desde saúde e ciência até manufatura e comércio. Ela afirmou que estamos “apenas começando a explorar seu potencial” e a influência da tecnologia vai se acelerar nos próximos anos.
O resultado é uma explosão no número de usuários, chegando a 5 bilhões até 2030. Para sustentar esse crescimento, a executiva estima que a capacidade global de computação voltada à IA precisará crescer dos atuais níveis, da ordem de zettaflops (um um seguido de 21 zeros), para mais de 10 yottaflops (um um seguido de 24 zeros) até o fim da década – um aumento de cerca de 10 mil vezes em relação ao que existia em 2022. É isso que ela chama de “YottaScale”, algo como “computação na escala Yotta”.
“Nunca houve nada parecido com isso na história da computação”, admitiu Lisa Su, reconhecendo que a infraestrutura atual não é suficiente para atender às ambições do mercado. Segundo o TechRadar, para Su, a resposta para esse desafio passa por sistemas altamente integrados, combinando CPUs, GPUs, redes e software de forma eficiente.
“A inteligência artificial é a tecnologia mais importante dos últimos 50 anos e é, sem dúvida, nossa prioridade número um”, disse.

AMD aposta em data centers e hardware avançado
Para materializar essa visão, a AMD apresentou uma série de novos produtos voltados a data centers e aplicações de IA em larga escala:
- Um dos principais anúncios foi a plataforma Helios, em escala de rack, equipada com os novos aceleradores gráficos MI455X. Cada rack pesa cerca de três toneladas e reúne 72 GPUs, CPUs de próxima geração e até 31 terabytes de memória;
- De acordo com o Interesting Engeneering, o equipamento é capaz de realizar 2,9 quintilhões de cálculos por segundo, graças ao chip MI455 (que também foi apresentado durante a CES 2026);
- A estrutura MI455X é um salto significativo em relação à geração anterior, com até dez vezes mais desempenho que seu antecessor;
- No segmento de consumo, a AMD anunciou a nova linha de processadores Ryzen AI 400, com até 60 TOPS de capacidade dedicada a tarefas de IA, com lançamento previsto ainda para este mês.

Poder computacional é essencial para o avanço da IA
Greg Brockman, presidente da OpenAI, se juntou à Lisa Su no palco da CES 2026. Ele reforçou a importância da expansão da infraestrutura de IA como forma de superar a limitação de poder computacional, que já é um desafio real para o avanço da IA.
Sempre que queremos lançar um novo recurso ou treinar um novo modelo, há uma disputa interna enorme por computação.
Greg Brockman, presidente da OpenAI
Brockman foi além e sugeriu que, em breve, o crescimento econômico poderá estar diretamente ligado à disponibilidade de poder computacional. “Estamos começando a ver sinais disso agora, e nos próximos dois anos esse efeito deve se tornar muito mais concreto”, afirmou.
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Como parte dessa estratégia, a AMD confirmou que começará a fornecer ainda este ano chips da série MI400 para a OpenAI, em um acordo que pode render bilhões de dólares em receita anual adicional à fabricante de semicondutores.
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