7 de janeiro de 2026
Esqueça o ‘comer mais fibras’: o que a ciência recomenda
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Diretrizes internacionais recentes mudam a forma de lidar com a constipação crônica (prisão de ventre) ao trocar conselhos genéricos por recomendações baseadas em evidências. Em vez do clássico “coma mais fibras”, o documento indica alimentos, bebidas e suplementos específicos que realmente mostraram efeito em estudos clínicos.

O guia foi elaborado pela British Dietetic Association (BDA) e se apoia numa revisão ampla da literatura científica. A proposta é organizar o que funciona, deixar claro o que não tem respaldo robusto e oferecer um caminho mais prático para quem convive com o problema no dia a dia.

Diretriz troca recomendações genéricas por alimentos com efeito comprovado

A principal novidade do documento está no foco. Trata-se das primeiras diretrizes voltadas exclusivamente ao manejo dietético da constipação crônica em adultos, algo que até então ficava diluído em recomendações amplas ou centradas em medicamentos.

Diretrizes recentes foram as primeiras a serem voltadas ao manejo dietético da constipação crônica em adultos (Imagem: fongbeerredhot/Shutterstock)

Para chegar a esse ponto, pesquisadores do King’s College London, em parceria com nutricionistas da BDA, analisaram 75 ensaios clínicos randomizados. Esses estudos foram reunidos em quatro grandes revisões sistemáticas com meta-análises, um tipo de análise que cruza resultados de vários trabalhos para aumentar a confiabilidade das conclusões.

As recomendações foram formuladas com o método GRADE, que classifica a força das evidências, e passaram por validação em consenso Delphi, envolvendo especialistas de diferentes áreas. O resultado são 59 recomendações práticas, todas amarradas ao que mostrou benefício mensurável — como frequência das evacuações, consistência das fezes e redução do esforço para evacuar.

Segundo os autores, não há evidência suficiente para recomendar, de forma geral, uma “dieta rica em fibras” como solução para a constipação crônica. O mesmo vale para padrões alimentares completos. A mensagem é: nem toda fibra, fruta ou hábito alimentar age da mesma forma no intestino.

Kiwi, psyllium e água rica em magnésio aparecem entre as principais apostas

Entre os suplementos, o destaque vai para o psyllium, fibra solúvel que apresentou os resultados mais consistentes nos estudos. O uso regular esteve associado a mais evacuações, fezes mais macias e menos esforço ao evacuar. Foram efeitos observados em doses semelhantes às testadas clinicamente, sem promessas milagrosas.

Visão de cima de mesa cheia de alimentos bons para tratar de prisão de ventre
Documento indica alimentos, bebidas e suplementos específicos que realmente mostraram efeito em estudos clínicos sobre prisão de ventre (Imagem: monticello/Shutterstock)

No grupo dos alimentos, o kiwi aparece como uma das apostas mais sólidas. O consumo regular (em geral duas a três unidades por dia, por algumas semanas) foi ligado à melhora da frequência intestinal e, em alguns estudos, da textura das fezes, com resultados comparáveis aos do psyllium em parte das análises.

O pão de centeio também entra na lista por conter fibras solúveis e fermentáveis, que ajudam a aumentar o volume das fezes e a estimular o trânsito intestinal. Mas os pesquisadores fazem uma ressalva importante: as quantidades usadas nos estudos foram altas e podem não ser realistas para a rotina da maioria das pessoas.

Já entre as bebidas, ganham espaço as águas minerais ricas em magnésio e sulfato. Esses minerais têm efeito osmótico, ou seja, ajudam a puxar água para dentro do intestino, o que facilita a evacuação quando consumidos de forma regular. 

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Em paralelo, práticas tradicionais perdem protagonismo: dietas genéricas ricas em fibras e frutas como ameixa e maçã aparecem com ressalvas, por falta de evidência robusta para a constipação crônica. A ideia central das diretrizes é menos conselho amplo, mais escolha direcionada e baseada em evidência.

Um artigo sobre a análise que levou à elaboração das novas diretrizes foi publicado na revista científica ​​Neurogastroenterology & Motility.

O post Esqueça o ‘comer mais fibras’: o que a ciência recomenda contra prisão de ventre apareceu primeiro em Olhar Digital.

Fonte: https://olhardigital.com.br/2026/01/05/medicina-e-saude/esqueca-o-comer-mais-fibras-o-que-a-ciencia-recomenda-contra-prisao-de-ventre/