O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, subiu o tom para pressionar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) a apoiar a anexação da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca. Em postagens recentes, o republicano classificou a ilha como “vital” para a construção do Domo de Ouro, escudo antimísseis para blindar o território americano.
A movimentação de Trump não é apenas diplomática; ela envolve uma clara ameaça de força. O presidente afirmou que os EUA obterão a ilha “de um jeito ou de outro”, alegando que a medida é necessária para impedir o avanço da influência da Rússia e da China no Ártico.
Domo de Ouro depende da localização estratégica da Groenlândia, diz Trump
O centro da nova investida de Trump é o Domo de Ouro (Golden Dome), sistema de defesa inspirado no Domo de Ferro de Israel. O projeto, avaliado em US$ 175 bilhões (cerca de R$ 1 trilhão), prevê o uso de uma rede complexa de satélites e interceptadores terrestres para destruir mísseis inimigos em qualquer fase do voo. Trump argumenta que a posição geográfica da Groenlândia é indispensável para que esses sensores e radares funcionem com eficácia total contra ataques hipersônicos.
Para o presidente americano, a atual defesa da ilha, que ele ironizou como sendo composta por apenas “dois trenós puxados por cães“, é insuficiente para os desafios modernos. Ele defende que a Otan deveria liderar o processo de transferência de posse para os EUA, tornando a aliança mais “formidável”. Sem a Groenlândia integrada aos sistemas americanos, Trump afirma que o Domo de Ouro não seria uma dissuasão eficaz contra grandes potências.
A obsessão de Trump pela ilha também tem raízes no mercado imobiliário, setor de onde veio o magnata. Ele descreve a Groenlândia como “massiva” e vê sua aquisição como a maior expansão territorial dos EUA desde o século 19, comparável à compra do Alasca. A ideia é concluir o Domo de Ouro até 2029, último ano de seu mandato, embora especialistas apontem que o prazo é excessivamente otimista diante da complexidade técnica.
Porém, o financiamento do projeto ainda é uma incógnita. Enquanto Trump vende a ideia da “paz pela força“, críticos e técnicos alertam para os riscos geopolíticos de tentar comprar ou anexar um território de um aliado soberano. O presidente rebate afirmando que o direito internacional não é um obstáculo para o que ele considera “psicologicamente necessário” para o sucesso americano.
A pressão sobre a Otan é um lance arriscado que pode rachar a aliança militar mais importante do mundo. Trump chegou a sugerir que estaria disposto a sacrificar a existência da organização caso ela não colabore com seus planos de expansão no Ártico. Para ele, a Otan é dependente demais do poderio dos EUA e, sem a colaboração dinamarquesa na entrega da ilha, a parceria perderia sua utilidade estratégica.
Europa reage e reforça presença militar para evitar anexação forçada
A resposta da Dinamarca e da União Europeia focou em reforço militar. O governo dinamarquês anunciou que já começou a enviar tropas e equipamentos para a Groenlândia, incluindo divisões especializadas em logística e vigilância. O ministro da Defesa dinamarquês, Troels Lund Poulsen, afirmou que o país não fará “concessões fundamentais” e que a ilha continuará sob sua tutela, rejeitando qualquer oferta de venda.

Liderados por Reino Unido e Alemanha, países europeus discutem agora uma missão conjunta da Otan para proteger especificamente a região ártica. O plano, apelidado de “operação no extremo norte”, visa criar uma barreira militar que desencoraje qualquer tentativa de invasão americana.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, classificou o momento como uma “encruzilhada” decisiva para o Ocidente, de acordo com a Associated Press (AP). Segundo ela, se os Estados Unidos derem as costas a um aliado para tomar seu território à força, a ordem mundial como a conhecemos deixará de existir. A resistência também é sentida na população local da Groenlândia, que já realizou protestos contra a presença e a pressão americana.
Enquanto as tropas se movimentam, uma via diplomática paralela tenta evitar o conflito direto. Representantes dos EUA, Dinamarca e Groenlândia agendaram reuniões em Washington com o secretário de Estado, Marco Rubio, e o vice-presidente J.D. Vance. A ministra groenlandesa Vivian Motzfeldt foi enfática ao declarar que nenhuma decisão sobre o futuro do território será tomada sem a participação do próprio povo da ilha.
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Apesar do tom bélico, a Casa Branca ainda mantém oficialmente a proposta de uma compra amigável, inspirada em transações históricas de terras. O problema é que a Dinamarca e a Groenlândia já declararam repetidamente que “não vendem suas almas” e que a ilha não é uma mercadoria, segundo o New York Times. A insistência de Trump em tratar a geopolítica como um negócio imobiliário empurrou a segurança do Ártico para uma zona de instabilidade inédita.
(Essa matéria também usou informações de CNN e G1.)
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