14 de janeiro de 2026
Groenlândia é ‘vital’ para Domo de Ouro dos EUA, diz
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, subiu o tom para pressionar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) a apoiar a anexação da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca. Em postagens recentes, o republicano classificou a ilha como “vital” para a construção do Domo de Ouro, escudo antimísseis para blindar o território americano.

A movimentação de Trump não é apenas diplomática; ela envolve uma clara ameaça de força. O presidente afirmou que os EUA obterão a ilha “de um jeito ou de outro”, alegando que a medida é necessária para impedir o avanço da influência da Rússia e da China no Ártico.

Domo de Ouro depende da localização estratégica da Groenlândia, diz Trump

O centro da nova investida de Trump é o Domo de Ouro (Golden Dome), sistema de defesa inspirado no Domo de Ferro de Israel. O projeto, avaliado em US$ 175 bilhões (cerca de R$ 1 trilhão), prevê o uso de uma rede complexa de satélites e interceptadores terrestres para destruir mísseis inimigos em qualquer fase do voo. Trump argumenta que a posição geográfica da Groenlândia é indispensável para que esses sensores e radares funcionem com eficácia total contra ataques hipersônicos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressionou a Otan a apoiar a anexação da Groenlândia (Imagem: Rawpixel.com/Shutterstock)

Para o presidente americano, a atual defesa da ilha, que ele ironizou como sendo composta por apenas “dois trenós puxados por cães“, é insuficiente para os desafios modernos. Ele defende que a Otan deveria liderar o processo de transferência de posse para os EUA, tornando a aliança mais “formidável”. Sem a Groenlândia integrada aos sistemas americanos, Trump afirma que o Domo de Ouro não seria uma dissuasão eficaz contra grandes potências.

A obsessão de Trump pela ilha também tem raízes no mercado imobiliário, setor de onde veio o magnata. Ele descreve a Groenlândia como “massiva” e vê sua aquisição como a maior expansão territorial dos EUA desde o século 19, comparável à compra do Alasca. A ideia é concluir o Domo de Ouro até 2029, último ano de seu mandato, embora especialistas apontem que o prazo é excessivamente otimista diante da complexidade técnica.

Porém, o financiamento do projeto ainda é uma incógnita. Enquanto Trump vende a ideia da “paz pela força“, críticos e técnicos alertam para os riscos geopolíticos de tentar comprar ou anexar um território de um aliado soberano. O presidente rebate afirmando que o direito internacional não é um obstáculo para o que ele considera “psicologicamente necessário” para o sucesso americano.

A pressão sobre a Otan é um lance arriscado que pode rachar a aliança militar mais importante do mundo. Trump chegou a sugerir que estaria disposto a sacrificar a existência da organização caso ela não colabore com seus planos de expansão no Ártico. Para ele, a Otan é dependente demais do poderio dos EUA e, sem a colaboração dinamarquesa na entrega da ilha, a parceria perderia sua utilidade estratégica.

Europa reage e reforça presença militar para evitar anexação forçada

A resposta da Dinamarca e da União Europeia focou em reforço militar. O governo dinamarquês anunciou que já começou a enviar tropas e equipamentos para a Groenlândia, incluindo divisões especializadas em logística e vigilância. O ministro da Defesa dinamarquês, Troels Lund Poulsen, afirmou que o país não fará “concessões fundamentais” e que a ilha continuará sob sua tutela, rejeitando qualquer oferta de venda.

Montagem com bandeira da União Europeia sobrepondo imagem de soldadinho de brinquedo em cima de notas de euro
Países europeus discutem missão conjunta da Otan para proteger a região onde a Groenlândia fica (Imagem: RaffMaster/Shutterstock)

Liderados por Reino Unido e Alemanha, países europeus discutem agora uma missão conjunta da Otan para proteger especificamente a região ártica. O plano, apelidado de “operação no extremo norte”, visa criar uma barreira militar que desencoraje qualquer tentativa de invasão americana.

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, classificou o momento como uma “encruzilhada” decisiva para o Ocidente, de acordo com a Associated Press (AP). Segundo ela, se os Estados Unidos derem as costas a um aliado para tomar seu território à força, a ordem mundial como a conhecemos deixará de existir. A resistência também é sentida na população local da Groenlândia, que já realizou protestos contra a presença e a pressão americana.

Enquanto as tropas se movimentam, uma via diplomática paralela tenta evitar o conflito direto. Representantes dos EUA, Dinamarca e Groenlândia agendaram reuniões em Washington com o secretário de Estado, Marco Rubio, e o vice-presidente J.D. Vance. A ministra groenlandesa Vivian Motzfeldt foi enfática ao declarar que nenhuma decisão sobre o futuro do território será tomada sem a participação do próprio povo da ilha.

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Apesar do tom bélico, a Casa Branca ainda mantém oficialmente a proposta de uma compra amigável, inspirada em transações históricas de terras. O problema é que a Dinamarca e a Groenlândia já declararam repetidamente que “não vendem suas almas” e que a ilha não é uma mercadoria, segundo o New York Times. A insistência de Trump em tratar a geopolítica como um negócio imobiliário empurrou a segurança do Ártico para uma zona de instabilidade inédita.

(Essa matéria também usou informações de CNN e G1.)

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Fonte: https://olhardigital.com.br/2026/01/14/ciencia-e-espaco/groenlandia-eh-vital-para-domo-de-ouro-dos-eua-diz-trump/