7 de janeiro de 2026
Hubble descobre resposta para mistério antigo da estrela Betelgeuse
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Astrônomos finalmente confirmaram que Betelgeuse não está sozinha. A supergigante vermelha, uma das estrelas mais famosas do céu noturno, abriga uma estrela companheira chamada Siwarha, que orbita tão perto que chega a atravessar a atmosfera externa da gigante. 

A descoberta foi feita com dados do telescópio Hubble e resolve um mistério que intriga cientistas há décadas: por que o brilho de Betelgeuse varia de forma tão regular e estranha.

Rastro de gás revela presença de estrela companheira de Betelgeuse

Após oito anos de monitoramento contínuo, pesquisadores do Centro de Astrofísica de Harvard-Smithsonian identificaram um sinal claro dessa companheira invisível: um rastro de gás denso e turbulento deixado toda vez que Siwarha cruza a frente de Betelgeuse. 

Esse rastro funciona como uma impressão digital cósmica. É a prova direta de que algo passa por ali e altera o comportamento da estrela.

Ilustração mostrando rastro deixado por estrela ao redor de Betelgeuse – Imagem: NASA, ESA, Elizabeth Wheatley (STScI); Science: Andrea Dupree (CfA)

Para explicar o fenômeno, os cientistas recorrem a uma comparação simples. O efeito é semelhante ao de um barco cortando a água: mesmo sem ver o casco o tempo todo, as ondulações na superfície deixam claro que algo passou por ali. No caso de Betelgeuse, essas “ondas” aparecem nos dados do Hubble como mudanças sutis, porém consistentes, na luz emitida pela estrela.

Essas mudanças ficam evidentes no espectro de luz, especialmente em linhas associadas ao ferro ionizado (ferro II). Além disso, os pesquisadores observaram alterações na velocidade e na direção dos gases da atmosfera externa, sinais claros de que esse material está sendo perturbado por algo em movimento.

O padrão se repete num intervalo bem definido: a cada 2,1 mil dias, aproximadamente. Esse é o tempo que Siwarha leva para completar uma órbita e cruzar a frente de Betelgeuse do nosso ponto de vista. O ciclo confirma, com dados observacionais, modelos teóricos que já sugeriam a existência de um “período secundário longo” no brilho da estrela.

Fisicamente, o que acontece é um choque. Ao se mover pela atmosfera rarefeita da supergigante, a estrela companheira concentra gravitacionalmente o vento estelar, o que forma um cone de gás comprimido atrás de si. Essa esteira se expande lateralmente à velocidade do som naquele ambiente, criando uma assinatura que o Hubble conseguiu rastrear com precisão.

Siwarha ajuda a decifrar o ciclo de vida das estrelas supergigantes

A estrela companheira recebeu o nome de Siwarha, que significa “O Bracelete” em árabe. É uma referência à etimologia de Betelgeuse, associada à “mão” da figura mitológica de Órion. Trata-se de uma estrela de baixa massa, pequena em comparação com a supergigante, mas poderosa o suficiente para moldar sua atmosfera.

Mapa de estrelas
A confirmação da existência da estrela Siwarha encerra uma longa lista de hipóteses sobre a estrela Betelgeuse (Imagem: Procy/Shutterstock)

Betelgeuse está a cerca de 650 anos-luz da Terra e é colossal: seu volume comportaria algo em torno de 400 milhões de Sóis. Essa combinação de tamanho extremo e relativa proximidade faz dela um laboratório natural único, permitindo observações diretas de processos que, em outras estrelas, são impossíveis de ver.

A confirmação de Siwarha encerra uma longa lista de hipóteses. Por anos, cientistas debateram se as variações de brilho vinham de nuvens de poeira, células gigantes de convecção ou até atividade magnética. Agora, essas explicações não são descartadas, mas passam a ser secundárias diante de uma causa dominante e comprovada.

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Entender essa interação é crucial porque estrelas como Betelgeuse estão na reta final da vida. A forma como elas perdem massa antes da explosão influencia diretamente o tipo de supernova que produzem. A presença de uma companheira altera esse processo, o que oferece pistas mais concretas sobre como essas estrelas evoluem até o colapso final.

No momento, Siwarha está oculta pelo disco de Betelgeuse do nosso ponto de vista. Os astrônomos já se preparam para o próximo capítulo: a estrela deve reaparecer para observações diretas em agosto de 2027, quando novos dados poderão refinar ainda mais esse retrato íntimo de uma gigante prestes a mudar de fase.

(Essa matéria usou informações da NASA.)

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Fonte: https://olhardigital.com.br/2026/01/06/ciencia-e-espaco/hubble-descobre-resposta-para-misterio-antigo-da-estrela-betelgeuse/