7 de janeiro de 2026
Por que humanos começaram a usar o fogo? Resposta não
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Uma descoberta arqueológica no Malawi está levando pesquisadores a revisar o que se sabia sobre rituais funerários em comunidades pré-históricas. Um estudo publicado na revista Science Advances aponta que um grupo de caçadores-coletores da Idade da Pedra cremou propositalmente o esqueleto de uma mulher, há cerca de 9.500 anos.

A prática de cremação é considerada extremamente rara nesse tipo de sociedade devido ao alto custo de trabalho e de recursos naturais envolvidos.

Cremação era incomum na Idade da Pedra (Imagem: CARLOS SANTOS RODAPEBR/Shutterstock)

Cremação mais antiga já registrada na África

Segundo os pesquisadores, trata-se da evidência mais antiga de cremação intencional já identificada na África, além da pira funerária ‘in situ’ mais antiga do mundo dedicada a adultos.

Os restos carbonizados foram encontrados no local de cremação, chamado de Hora 1, que fica no Monte Hora, em Malawi. A análise dos ossos e cinzas indicou que a pessoa homenageada era uma mulher adulta de baixa estatura, com altura estimada entre 1,45 e 1,55 metro. O ritual aconteceu há cerca de 9.500 anos, em uma pira construída com 30 quilos de madeira e capim seco.

Um dos fatores que chamou atenção no achado é que a mulher cremada provavelmente teve a carne removida antes de ser colocada na pira funerária. Os restos carbonizados também não tinham dentes ou ossos do crânio, que costumam ser preservados mesmo com o fogo. A pesquisa indica que a cabeça dela pode ter sido removida antes do ritual.

Não se sabe o que aconteceu com a cabeça.

ritual de cremação da idade da pedra, o mais antigo já registrado na áfrica
Ossos analisados não incluíram o crânio, que acredita-se ter sido removido do esqueleto antes da cremação (Imagem: Jessica Thompson/Science Advances/Reprodução)

Cremação não era comum na pré-história

Há outros registros de humanos mortos queimados na África, como um caso no Egito datado de 7.500 anos atrás. No entanto, como não há uma pira funerária própria, não há indícios de que a cremação foi deliberada, tornando o novo achado um marco no continente.

Isso porque, historicamente, a cremação sempre foi vista como pouco prática para grupos caçadores-coletores, já que exige grandes quantidades de lenha e trabalho manual. Até então, o exemplo mais antigo de uma pira funerária conhecida vinha do Alasca, com cerca de 11.500 anos, e envolvia os restos de uma criança.

Na África, os ossos queimados não eram diretamente associados à cremação intencional. De acordo com o IFLScience, a prática só passou a ser documentada no continente milhares de anos depois, já no período Neolítico, quando pastores no Quênia começaram a queimar os mortos há cerca de 3.300 anos.

ritual de cremação da idade da pedra, o mais antigo já registrado na áfrica
Descoberta muda compreensão sobre cremação na Idade da Pedra (Imagem: Jessica Thompson/Science Advances/Reprodução)

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Descoberta muda o que sabemos sobre as práticas da Idade da Pedra

  • A pesquisa sugere que, para ter sido cremada em uma época em que o ritual era incomum, a mulher provavelmente ocupava uma posição de destaque dentro da comunidade;
  • Em comunicado, a autora do estudo, Jessica Thompson, revelou que, para além de um ritual de cremação, o evento foi um “espetáculo tão grandioso que nos obriga a repensar nossa visão sobre o trabalho em grupo e os rituais nessas antigas comunidades de caçadores-coletores”;
  • As escavações também revelaram que o local continuou a ser usado para grandes fogueiras por centenas de anos após o funeral, embora nenhuma outra cremação tenha ocorrido ali;
  • Para os autores, essas queimas posteriores podem ter funcionado como cerimônias simbólicas, em memória do ritual original.

O motivo exato da cremação não foi descoberto.

O post Idade da Pedra: esqueleto sem cabeça revela cremação mais antiga da África apareceu primeiro em Olhar Digital.

Fonte: https://olhardigital.com.br/2026/01/05/ciencia-e-espaco/idade-da-pedra-esqueleto-sem-cabeca-revela-cremacao-mais-antiga-da-africa/