
Um artigo publicado na revista Meteoritics & Planetary Science revelou uma nova surpresa sobre o meteorito Aguas Zarcas: essa rocha espacial, pertencente à classe dos condritos carbonáceos, passou pelo menos dois milhões de anos no espaço sem sofrer colisões significativas. A descoberta desafia a ideia de extrema fragilidade de meteoritos desse tipo.
O Aguas Zarcas chamou a atenção da comunidade científica ao atravessar a atmosfera da Terra em abril de 2019, fragmentando-se sobre a Costa Rica. Entre os destroços recuperados, um pedaço perfurou o telhado de uma casinha de cachorro, deixando um buraco de 18 cm. A estrutura foi leiloada em 2022 por quase US$50 mil. O pastor alemão Roky, que dormia ali, saiu ileso.
Ao todo, foram recuperados 27 quilos de fragmentos, tornando essa a maior queda desse tipo desde o meteorito Murchison, na Austrália, em 1969. “Setenta e seis estudos foram feitos sobre Aguas Zarcas”, disse o geólogo Gerardo Soto, da Universidade da Costa Rica em um comunicado. Ele destacou que nenhuma outra bola de fogo gerou tanta repercussão no país nos últimos 150 anos.
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Origem exata do meteorito permanece um mistério
O estudo recente traçou a trajetória do meteorito até a Terra, usando imagens de satélites, radares e câmeras de segurança. Apesar de se saber bem onde caiu, sua origem exata é mais difícil de determinar. Cientistas sugerem que veio do cinturão de asteroides externo, onde corpos primitivos do Sistema Solar ainda circulam.
Os condritos carbonáceos são ricos em carbono e minerais hidratados, o que os torna frágeis e propensos a se desintegrar ao entrar na atmosfera. Por isso, muitos meteoritos desse tipo deixam poucos fragmentos para estudo. O Aguas Zarcas, no entanto, manteve grandes pedaços intactos, indicando uma resistência inesperada.
Os pesquisadores analisaram a exposição da rocha aos raios cósmicos para estimar sua idade espacial. A análise mostrou que ela passou pelo menos dois milhões de anos flutuando no espaço antes de chegar à Terra. Esse longo período sem danos desafia a noção de que meteoritos carbonáceos se fragmentam facilmente.
“A última colisão sofrida por essa rocha foi há dois milhões de anos”, explicou o cosmoquímico Kees Welten, da Universidade da Califórnia. A equipe chegou a essa conclusão medindo elementos radioativos no meteorito, que indicam quando suas camadas internas foram expostas ao espaço.

Rocha espacial contraria apelido
Meteoritos semelhantes, como o Murchison, também se separaram de seus asteroides há cerca de dois milhões de anos. No entanto, a maioria se fragmentou mais recentemente. O Aguas Zarcas, por outro lado, permaneceu intacto até sua chegada à Terra.
A equipe estima que o meteorito tinha cerca de 60 cm de diâmetro quando entrou na atmosfera terrestre. “Podemos dizer que ele veio de um asteroide maior, possivelmente das regiões externas do cinturão de asteroides”, disse o astrônomo Peter Jenniskens, do Instituto SETI. “Durante dois milhões de anos, evitou ser destruído antes de atingir a Terra”.
As descobertas sugerem que os condritos carbonáceos podem ser mais resistentes do que se pensava. O Aguas Zarcas, contrariando o apelido de “meteorito bola de lama”, mostrou que pode sobreviver intacto por milhões de anos no espaço.
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Fonte: https://olhardigital.com.br/2025/04/02/ciencia-e-espaco/meteorito-bola-de-lama-viajou-intacto-por-dois-milhoes-de-anos-ate-atingir-a-terra/