23 de janeiro de 2026
Mistério milenar do Stonehenge pode ter sido decifrado
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A origem das colossais pedras de Stonehenge, um dos maiores mistérios arqueológicos do mundo, pode ter acabado de ganhar uma resposta definitiva. Um novo estudo, publicado na revista Communications Earth & Environment, encerra um antigo debate ao demonstrar que não foram as geleiras, mas sim seres humanos pré-históricos, os responsáveis por transportar os megalitos por centenas de quilômetros até a planície de Salisbury, no sul da Inglaterra.

Durante décadas, uma corrente de pensamento — a “teoria do transporte glacial” — sustentava que as pedras características do monumento de 5 mil anos haviam sido arrastadas até seu local atual por mantos de gelo durante a última era glacial.

A nova pesquisa, conduzida por geólogos da Universidade Curtin, na Austrália, aplicou uma técnica de análise mineral de ponta para investigar essa hipótese.

Os cientistas examinaram mais de 700 grãos microscópicos de zircão e apatita — minerais duráveis que atuam como “impressões digitais” geológicas — coletados de sedimentos de rios ao redor de Stonehenge.

Como as pedras colossais que formam o famoso Stonehenge chegaram ao local do monumento? Crédito: YGTMedia – Shutterstock

A datação desses grãos revelou que suas idades correspondem exclusivamente a formações rochosas locais do sul da Inglaterra, que vão de 1.7 bilhão a 60 milhões de anos. Não foi encontrado nenhum vestígio mineral que coincidisse com a composição das rochas das Colinas de Preseli, no País de Gales, ou da Escócia, de onde as pedras de Stonehenge realmente vieram.

Geleiras não construíram o Stonehenge

“Esses resultados mostram que as geleiras não se estenderam ao sul o suficiente para alcançar a planície de Salisbury durante a última era glacial”, explicaram os autores. A ausência total desses “grãos alienígenas” enterra a teoria do transporte glacial. A conclusão é inevitável: se o gelo não as trouxe, apenas o esforço humano coordenado pôde fazê-lo.

A implicação é profunda. As chamadas “pedras azuis”, que pesam até quatro toneladas, foram deliberadamente extraídas no oeste do País de Gales e arrastadas por aproximadamente 225 quilômetros por terra.

A “Pedra do Altar”, de 6.6 toneladas e localizada no centro do círculo, teria uma jornada ainda mais épica, vinda do norte da Inglaterra ou da Escócia — uma distância superior a 500 quilômetros —, possivelmente envolvendo o uso de barcos para cruzar braços de mar.

Pedra do Altar, de Stonehenge. Crédito: Professor Nick Pearce/Universidade de Aberystwyth.
Crédito: Professor Nick Pearce, Universidade de Aberystwyth.

A descoberta vai além de simplesmente resolver um debate acadêmico. Ela eleva drasticamente nossa compreensão sobre as capacidades organizacionais, a determinação e o conhecimento de engenharia das sociedades neolíticas que habitaram a Grã-Bretanha há cinco milênios. Construir Stonehenge não foi apenas um ato de arranjo de pedras, mas um logística colossal intencional, um feito que continua a desafiar a imaginação no século XXI.

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Fonte: https://olhardigital.com.br/2026/01/23/ciencia-e-espaco/misterio-milenar-do-stonehenge-pode-ter-sido-decifrado/