9 de janeiro de 2026
Fim dos computadores pessoais? Escassez de memória gera crise no
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Ao longo dos últimos 15 anos, o computador pessoal demonstrou uma capacidade de sobrevivência que poucos previram. Mesmo com a popularização dos smartphones e tablets, os PCs seguiram firmes. Agora, porém, o mercado entrou em crise e essa resiliência terá que enfrentar um teste de fogo.

O motivo é a escassez de chips de memória, que estão sendo devorados pela indústria de IA, deixando os computadores pessoais com menos opções. Nas últimas semanas, as fabricantes de laptops começaram a reajustar preços – para cima – para dar conta do recado.

Modelos devem ficar mais caros já neste ano (Imagem: DC Studio/Freepik)

Computadores pessoais sobreviveram por anos… mas enfrentam nova crise

Em 2010, a Apple anunciou a chegada de uma suposta era “pós-PC” com o lançamento do iPad. Esse cenário nunca se concretizou. Já há uma década, os smartphones passaram a liderar o acesso à internet no mundo. Mesmo assim, os computadores pessoais – tanto desktops quanto notebooks – continuaram firmes.

Agora, esses dispositivos enfrentam uma nova crise. Nos últimos meses, os preços das memórias RAM e dos chips NAND usados em SSDs dispararam. O motivo é a oferta limitada e a demanda altíssima. Isso porque os componentes que alimentam os PCs também são usados em data centers que viabilizam a inteligência artificial.

As consequências já estão dando as caras no varejo: custos mais altos para computadores pré-montados, venda de componentes a preços inflacionados e até a oferta de modelos sem memória instalada.

Módulos de memória RAM instalados nos slots da placa-mãe de um PC, representando o processo de atualização de hardware e a importância da compatibilidade entre os componentes
Solução não é tão simples: diminuir a memória RAM causaria problemas de compatibilidade com os PCs (Imagem: Eduardo Y / Shutterstock)

Computadores ficarão mais caros este ano

Uma análise da TrendForce indicou que os preços da memória RAM subirão de forma acentuada no primeiro trimestre de 2026, o que pressiona ainda mais os valores finais de notebooks e desktops.

Como resposta, as fabricantes começaram a reagir. Segundo o The Verge:

  • A Asus comunicou parceiros de distribuição sobre aumentos de preços em toda a sua linha de produtos;
  • A Dell alterou os preços dos novos computadores XPS 14 e XPS 16 pouco antes do anúncio oficial;
  • A Lenovo vem estocando memória para PCs para lidar com a crise ao longo de 2026;
  • A HP também possui estoque de memória e, apesar de não ter feito mudanças nos preços, reconhece que precisará agir. A empresa prevê que o aumento contínuo deve afetar as margens de lucro a partir de maio.
Comunidades desafiam megaprojetos de data centers na América Latina
Chips de memória estão sendo usados para abastecer data centers de IA (Imagem: Frame Stock Footage / Shutterstock)

Qual a solução?

Não há resposta simples.

Uma solução aparentemente fácil seria oferecer menos memória RAM. No entanto, os sistemas operacionais atuais foram projetados para consumir muita memória. O Windows 11, por exemplo, exige no mínimo 4 GB RAM – e sequer funciona bem nessa quantidade.

Atualmente, o limite mínimo fica em torno dos 8GB. A TrendForce prevê que, no caso dos smartphones, é possível reduzir esse número e que os aparelhos provavelmente voltarão a ter 4GB de RAM ainda este ano. No entanto, no caso dos notebooks, essa redução acarretaria na incompatibilidade com os processadores e sistemas operacionais atuais.

Para piorar, os computadores com inteligência artificial – uma tendência do setor – exigem ainda mais memória. A Microsoft definiu 16 GB de RAM como requisito mínimo para o Copilot Plus.

Para além das fabricantes, a crise também cria um cenário delicado para as empresas de software. A Microsoft encerrou o suporte ao Windows 10 no fim de outubro e a escassez de memória pode afetar o ciclo de atualização para o Windows 11, assim como o Copilot.

E, de acordo com uma análise da IDC, o aumento de preços pode não ser apenas temporário, já que a indústria global de semicondutores está redirecionando sua capacidade de produção para atender a crescente demanda no setor de IA.

Fabricantes como Samsung, SK Hynix e Micron, por exemplo, começaram a priorizar memórias de alta largura de banda (HBM), usadas principalmente em aceleradores gráficos voltados para data centers. O resultado é que os insumos deixarão de ser usados para abastecer smartphones e PCs pessoais.

Notebooks com GeForce RTX série 40 (Imagem: divulgação/Nvidia)
Enquando grandes empresas devem sobreviver à crise, montadoras menores podem perder espaço (Imagem: Divulgação/Nvidia)

Mercado gamer também deve sofrer com a crise

A crise atinge diretamente o segmento de PCs montados sob demanda e o mercado gamer. Embora as vendas totais de computadores tenham recuado nos últimos anos, o público de jogos manteve o crescimento, criando espaço para montadoras menores. No entanto, com o cenário atual, essas empresas não têm poder financeiro para estocar memória e devem ser as mais prejudicadas.

As placas de vídeo também entram na equação: o custo crescente da memória vai refletir nos preços das GPUs de última geração.

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E se os custos de componentes continuarem elevados em 2026, como indicam as previsões, os reflexos também podem chegar aos consoles, como modelos atuais de Xbox e PlayStation.

O post Fim dos computadores pessoais? Escassez de memória gera crise no mercado de PCs apareceu primeiro em Olhar Digital.

Fonte: https://olhardigital.com.br/2026/01/08/pro/o-mercado-de-computadores-vai-sobreviver-a-crise-atual/