29 de novembro de 2025
Terapias com células-tronco avançam e revelam novas formas de regenerar
Compartilhe:

O derrame, também conhecido como Acidente Vascular Cerebral (AVC), é uma das principais causas de incapacidade no mundo e afeta milhões de pessoas todos os anos. Nessas situações, a interrupção do fluxo sanguíneo provoca a morte de neurônios em áreas críticas do cérebro, causando danos que, até hoje, são considerados amplamente irreversíveis. Diferentemente de órgãos como a pele ou o fígado, o cérebro possui pouquíssima capacidade regenerativa. Por isso, muitos pacientes enfrentam sequelas motoras, cognitivas e emocionais permanentes mesmo após tratamentos emergenciais e reabilitação intensiva.

No entanto, o avanço das pesquisas com células-tronco está abrindo novas perspectivas para compreender e, potencialmente, reparar o cérebro lesionado, como mostra um artigo publicado no site do The Conversation. Nos últimos anos, abordagens de medicina regenerativa têm buscado criar terapias capazes de substituir neurônios perdidos e reconstruir circuitos danificados.

Os primeiros avanços que mostraram ser possível reparar o cérebro com células-tronco

O interesse por terapias celulares aplicadas ao cérebro ganhou força a partir do final dos anos 1980. No Hospital Universitário de Lund, na Suécia, uma equipe liderada por Anders Björklund e Olle Lindvall realizou transplantes de células-tronco neurais em pacientes com Parkinson. A doença, marcada pela perda de neurônios dopaminérgicos, teve seus efeitos parcialmente revertidos em diversos pacientes, que recuperaram funções motoras por mais de uma década.

Interesse por terapias celulares aplicadas ao cérebro ganhou força a partir do final dos anos 1980 (Imagem: utah778/iStock)

Esse marco não apenas demonstrou que o cérebro humano pode receber e integrar células transplantadas, como também impulsionou pesquisas globais. Hoje, diferentes ensaios clínicos continuam a explorar aplicações das células-tronco em doenças degenerativas. E a busca agora se expande para um desafio ainda maior: o AVC isquêmico.

O desafio específico de reconstruir o cérebro após um AVC

O derrame apresenta obstáculos mais complexos que doenças como Parkinson. Em vez de afetar um único tipo de neurônio, a lesão isquêmica compromete múltiplas células – incluindo neurônios, glia e vasos sanguíneos. Para que um transplante tenha sucesso, não basta que as células-tronco sobrevivam. Elas precisam se integrar ao tecido existente, enviar axônios, estabelecer sinapses e retomar seu papel funcional nos circuitos do cérebro.

células tronco
Para que o transplante funcione, não é suficiente que as células-tronco permaneçam vivas — elas também devem se incorporar ao tecido que já está no local (Imagem: anusorn nakdee/iStock)

Um dos avanços mais promissores é o uso de engenharia genética para aprimorar as células antes do transplante. Pesquisadores têm modificado essas células para expressar a proteína BDNF (Brain-Derived Neurotrophic Factor), essencial para promover o crescimento de axônios e a formação de conexões neuronais. A estratégia busca não apenas preencher a área danificada, mas reconstruir a rede de comunicação cerebral.

A partir desses estudos, emergem alguns pontos centrais que moldam o futuro das terapias regenerativas:

  • o cérebro possui capacidade limitada de regeneração natural;
  • as células-tronco podem substituir neurônios danificados e recuperar funções;
  • no AVC, a dificuldade está na amplitude da lesão e na necessidade de reintegrar múltiplos tipos celulares;
  • técnicas de engenharia genética, como a superexpressão de BDNF, podem melhorar a conectividade dos novos neurônios.
Derrame/AVC
Nova terapia busca não apenas preencher a área danificada, mas reconstruir a rede de comunicação cerebral (Imagem: shutterstock/metamorworks)

Além dos avanços científicos, debates éticos acompanham o progresso. Os primeiros transplantes utilizaram tecido fetal, mas hoje a descoberta das células-tronco de pluripotência induzida (iPS), desenvolvidas por Shinya Yamanaka, tornou possível gerar células compatíveis a partir do próprio paciente, reduzindo riscos e controvérsias.

Leia mais:

  • Esses são os 4 fatores de risco mais comuns para AVC
  • Quase todos os ataques cardíacos poderiam ser previstos por quatro fatores
  • Adoçantes de baixa caloria podem aumentar risco de derrame, diz estudo

A evolução dessas técnicas aponta para um caminho antes inimaginável: a possibilidade de, um dia, regenerar regiões danificadas do cérebro humano. Embora muitos desafios ainda precisem ser superados — desde regulamentação até testes clínicos de longo prazo — cada avanço reforça que a combinação de células-tronco e engenharia genética está remodelando o futuro da medicina regenerativa.

O post Terapias com células-tronco avançam e revelam novas formas de regenerar o cérebro após AVC apareceu primeiro em Olhar Digital.

Fonte: https://olhardigital.com.br/2025/11/29/medicina-e-saude/terapias-com-celulas-tronco-avancam-e-revelam-novas-formas-de-regenerar-o-cerebro-apos-avc/