A Tesla decidiu descontinuar o Autopilot, seu sistema básico de assistência ao motorista, em uma estratégia para ampliar a adesão ao software mais avançado da empresa, o Full Self-Driving (Supervised). A mudança ocorre em um momento de pressão regulatória e ajustes no modelo de negócios da companhia liderada por Elon Musk.
A decisão vem após uma sentença na Califórnia que considerou que a Tesla praticou marketing enganoso ao longo de anos ao exagerar as capacidades do Autopilot e do FSD. Como parte do processo, o Departamento de Veículos Motorizados do estado determinou a suspensão por 30 dias das licenças de fabricação e venda da empresa, com um prazo de 60 dias para que a Tesla se adeque às exigências, incluindo a retirada do nome “Autopilot”.
O que muda para os novos veículos da Tesla?
Até então, o Autopilot combinava duas funções principais: o Traffic Aware Cruise Control, que mantém a velocidade e a distância em relação aos carros à frente, e o Autosteer, responsável por centralizar o veículo na faixa e fazer curvas automaticamente.
Agora, o site de configuração online da Tesla informa que os novos carros saem de fábrica apenas com o Traffic Aware Cruise Control como item padrão. A empresa não detalhou se clientes que já possuem veículos com o Autopilot instalado serão afetados pela mudança.

Fim da taxa única e foco na assinatura
A descontinuação do Autopilot também se conecta a outra alteração anunciada recentemente. A partir de 14 de fevereiro, a Tesla deixará de cobrar a taxa única de US$ 8.000 pelo acesso ao Full Self-Driving. Em vez disso, o software passará a ser oferecido apenas por meio de uma assinatura mensal de US$ 99.
Elon Musk afirmou que o valor da mensalidade deve aumentar conforme o sistema evoluir. O executivo defende que os carros mais novos da marca terão capacidade para condução “não supervisionada”, permitindo que o motorista use o celular ou durma durante o trajeto. Apesar da declaração, o próprio Musk reconheceu anteriormente que, em quase todos os estados norte-americanos, enviar mensagens enquanto dirige é ilegal.
FSD teve adoção abaixo do esperado
O Full Self-Driving foi lançado em versão beta no final de 2020, mas a adesão ficou aquém das expectativas internas. Em outubro de 2025, o diretor financeiro da Tesla, Vaibhav Taneja, informou que apenas 12% dos clientes haviam pago pelo software.
O crescimento dessa base é estratégico para a empresa e para o próprio Musk. Um dos objetivos atrelados ao pacote de remuneração do executivo, avaliado em US$ 1 trilhão, é alcançar 10 milhões de assinaturas ativas do FSD até 2035.

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Histórico e controvérsias do Autopilot
A Tesla apresentou o Autopilot no início da década de 2010, após negociações frustradas com o Google para usar tecnologias desenvolvidas pela divisão de veículos autônomos da empresa, que mais tarde se tornaria a Waymo. Em abril de 2019, o sistema passou a ser padrão em todos os modelos da montadora.
Ao longo de mais de uma década, no entanto, a comunicação sobre as capacidades do software gerou controvérsia. Segundo a National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA), o excesso de promessas e a percepção de que o sistema era mais autônomo do que realmente era contribuíram para centenas de acidentes e ao menos 13 mortes nos Estados Unidos.
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