Foto em destaque: Jailson Soares/ODIA
Com contas acumulados e gastos necessários, trabalhadores usam o 13° salário como fôlego extra para atravessar o início do ano, período de altas despesas e orçamento apertado
Com a chegada do fim de ano vem também o tão esperado 13° salário, velho conhecido dos trabalhadores brasileiros. Para muitos, o benefício funciona como um alívio temporário diante de um orçamento que costuma estar no limite. Para outros, é uma chance de organização das finanças, de fazer pequenas melhorias no dia a dia ou, quando possível, de criar ou aumentar a poupança.
Na prática, porém, o pagamento – gratificação anual garantida pela Constituição Federal desde 1962, que começa a ser paga nesta semana aos trabalhadores com carteira assinada – continua sendo uma das principais esperanças de quem tenta fechar as contas em um país onde o custo de vida pesa cada vez mais.
Nas ruas do centro de Teresina, as histórias se repetem, com cada trabalhador apresentando sua urgência. Alguns afirmam que anteciparam o pagamento do benefício e não esperaram muito para gastar o dinheiro que caiu na conta. “Já gastei o meu. Paguei e comprei várias coisas, mas já estou sentindo falta, porque agora que vou precisar mais. Vou guardar um pouquinho, porque em janeiro e fevereiro a gente fica mais apertado”, disse uma vendedora que trabalha no centro da capital.
A realidade da população nas ruas não foge à regra. O mês de janeiro é sinônimo de material escolar, IPVA, seguros e vários outros tipos de cobranças que chegam de mãos dadas. Por isso, especialistas recomendam que, sempre que possível, trabalhadores destinem parte do 13º para quitar dívidas ou construir uma reserva de emergência, mesmo que em uma pequena quantidade. O ideal, segundo orientadores financeiros, é priorizar contas em atraso, reduzir juros e, só depois, pensar em compras maiores ou planejamento para o ano seguinte.
“Eu comprei remédios, comida e paguei minhas contas. Usei só para o necessário, porque com outras coisas não dá para gastar. É pouco”, disse mais um trabalhador teresinense. A fala, que ressalta a falta de margem de escolha de muitos, resume a vida de milhões de brasileiros que acabam vendo o benefício desaparecer tão rapidamente quanto cai na conta.

Teresinenses planejam usar o 13° para pagar contas e aliviar orçamento – Marcello Casal Jr/ Agência Brasil
Para várias pessoas, o 13° é quase como um bônus de sobrevivência. “Pagar conta, pagar muitas coisas, comprar remédios e tudo que a gente imagina. É um momento bom que chega para a gente, né?”, reforçou outra teresinense. Aqueles que dependem da gratificação podem ter um alívio curto, mas bem-vindo.
Entre tantos apertos, há também quem consiga usar o dinheiro para resolver pendências maiores e até mesmo incrementar a poupança. “Eu vou usar para fazer um pouco de reforma na minha casa. E, se for um pouquinho mais, eu posso guardar um pouquinho também na minha poupança, fazer uma reserva”, contou uma trabalhadora. É uma meta que, embora simples, ainda pode ser luxo para muitos.
Independentemente do destino, o 13º salário segue cumprindo seu papel de movimentar a economia, garantir fluxo para o comércio e, acima de tudo oferece às famílias uma chance de reorganizar a vida. Nem sempre todas as contas pendentes podem ser resolvidas pela gratificação, mas pode ajudar a passar a virada de ano com um pouco mais de fôlego.
Fonte: portalodia.com
