17 de julho de 2024
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Foto: Reprodução

A França é nada menos do que o 3º maior investidor no Brasil e depende muito desse país o aval para que negociações importantes com os europeus sejam concretizadas

A passagem pelo Brasil do presidente da França, Emmanuel Macron, numa viagem que durou três dias, e foi pontuada por uma agenda intensa, com razoável visão territorial de nosso país, parece ser um marco significativo nas relações históricas das duas nações, e um   ponto de destravamento nas amarras que têm dificultado os entendimentos econômicos e políticos entre a América do Sul e a Europa.

O presidente Lula, ao recepcionar festivamente o visitante, sabe que não está tratando com um qualquer. A França é nada menos do que o 3º maior investidor no Brasil e depende muito desse país o aval para que negociações importantes com os europeus sejam concretizadas. Sabe-se, por exemplo, das dificuldades frequentes e duradouras para que o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia saia do papel, para permitir que os países latino-americanos possam ter mais facilidade na colocação de seus produtos e serviços no Velho Continente.

Um desses impasses tem sido a própria França. Parlamentares franceses e, por consequência, também o governo, têm sido bastante reticentes quanto a esse acordo, levados por pressões sobretudo de agricultores da França, que temem que a presença de produtos latinos, especialmente brasileiros, entre eles, enfraqueça ainda mais a sua produção. O fato é que as atividades rurais no Brasil evoluíram muito, contrariamente ao atraso que se verifica na França e outros países franceses nesse terreno.

Sem entender que um acordo entre Mercosul e União Europeia contribuiria muito para levar a eles os avanços científicos e tecnológicos que a agropecuária brasileira adquiriu, graças à competência da Embrapa, visão e capacidade de nossos empresários, os franceses do campo têm colocado entraves a esse entendimento.

Vindo aqui, depois de 10 anos sem que o Brasil recebesse um dirigente francês, o presidente Macron pode ter e levar para a França e Europa uma visão mais clara e positiva do nosso país, como, por exemplo, muito bem expressou o Presidente Lula, ao dizer durante um evento em Belém do Pará:”O presidente pode constatar pessoalmente que o nosso compromisso com o meio ambiente não é retórico. No último ano reduzimos o desmatamento ilegal na Amazônia em 50% e vamos zerá-lo até 2030.”

Nesse ponto ambiental, aliás, um dos resultados positivos da visita foi a destinação, anunciada por Macron, logo no primeiro dia da visita, do valor de R$ 1 bilhão (cerca de 200 milhões de euros) para as ações de conservação na Amazônia, uma parceria que já foi concretizada em documento assinado pelo BNDES junto à Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD).

Esses recursos anunciados pelo presidente francês são um alívio à falta de compromissos dos 196 países do mundo que assinaram o Acordo de Paris, de 2015, comprometendo-se a liberar recursos, destinados aos países pobres e em desenvolvimento, para ações permanentes de restauração ambiental. Até o momento, além da França, só Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos, Suíça e Dinamarca abriram, em maior ou menor porte, seus cofres para ajudar o Brasil a reduzir em 57% as emissões de gases poluentes, responsáveis pela elevação do efeito estufa, aquecimento da atmosfera e desequilíbrio ambiental.

O Presidente Lula tem reforçado seu compromisso de elevar esforços e ações para a restauração ambiental, mas isso não alcançará êxito pleno sem os recursos financeiros que grandes nações, especialmente da Europa, devem oferecer, até mesmo no sentido de pagar a conta pela destruição que fizeram ao redor do mundo.