18 de julho de 2024
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Delegado justificou necessidade da prisão alegando que empresário tem ‘poder aquisitivo elevado’ e poderia influenciar ou subornar testemunhas

Foto: Reprodução

A Polícia Civil de São Paulo pediu a prisão preventiva de Fernando Sastre de Andrade Filho, condutor e proprietário do Porsche envolvido em um acidente fatal que resultou na morte do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana na madrugada do último domingo (31) na capital paulista.

O pedido de detenção foi divulgado pelo portal Uol e pela CBN. O veículo de luxo colidiu com o Renault Sandero de Ornaldo na Avenida Salim Farah Maluf, situada na Zona Leste de São Paulo.

O delegado Nilson Alves, do 30º DP (Tatuapé), justificou a necessidade da prisão, alegando que o empresário poderia manipular evidências e tentar fugir. Segundo Alves, Fernando Sastre de Andrade Filho possui um “poder aquisitivo elevado” e poderia influenciar ou subornar testemunhas.

Fernando Sastre de Andrade Filho é sócio de duas empresas e faz parte de uma família de empresários com atuação no setor imobiliário. O delegado afirmou que o acusado cometeu um crime de “extrema gravidade” ao fugir do local do acidente. Ele também mencionou que o empresário teve sua habilitação suspensa anteriormente por violações às normas de trânsito e citou a repercussão midiática do incidente.

Até o momento, a defesa do acusado não se pronunciou sobre o pedido de prisão. Durante a investigação, os advogados de Fernando têm alegado que o motorista do Porsche não fugiu após a colisão e que deixou o local com a autorização de policiais militares.

Os policiais militares que liberaram o motorista do Porsche após o acidente, ocorrido no bairro do Tatuapé, foram afastados das atividades nas ruas para uma averiguação de conduta.

Fernando Sastre de Andrade Filho estava dirigindo o Porsche com um passageiro no momento do acidente. Ele foi socorrido por sua mãe, Daniela Cristina de Medeiros Andrade, que informou aos policiais que prestavam assistência que levaria seu filho para um hospital.

Os agentes liberaram a dupla e, durante a investigação do acidente, constataram que Fernando era o responsável pela colisão. Eles se dirigiram ao hospital em busca do motorista, mas não o encontraram. Também foram até a residência de Fernando, onde ele também não estava.

O caso foi registrado como homicídio doloso e está sendo investigado no 30° DP. Além disso, foi aberto um procedimento na Corregedoria da Polícia Militar para investigar a conduta dos agentes envolvidos, os quais foram temporariamente afastados de suas funções.

A Secretaria de Segurança Pública afirmou que as investigações continuam a cargo do 30° Distrito Policial (Tatuapé), que realiza todas as diligências necessárias e aguarda os resultados dos laudos periciais para esclarecer os fatos e, possivelmente, solicitar a prisão preventiva do autor. Paralelamente, a Polícia Militar instaurou uma sindicância para apurar a conduta dos policiais que atenderam à ocorrência. Depoimentos já foram colhidos e imagens estão sendo analisadas. Se for comprovado o descumprimento dos procedimentos operacionais, os policiais serão responsabilizados.

Durante seu depoimento na Polícia Civil, realizado mais de 36 horas após a colisão, Fernando Sastre Filho admitiu que estava dirigindo “um pouco acima do limite” de velocidade estabelecido em 50 km/h, conforme reportado pela TV Globo. Testemunhas relataram que o Porsche de Sastre ultrapassou em alta velocidade antes de perder o controle.

Em nota divulgada pela defesa do motorista, foi destacado que é prematuro tirar conclusões sobre as causas do acidente, uma vez que os laudos periciais ainda não foram concluídos. A nota também salientou que Fernando não fugiu do local do acidente, já que o socorro estava sendo prestado às outras vítimas e ele foi devidamente identificado pelos policiais militares de trânsito, sendo liberado pela polícia para ser encaminhado ao hospital. No entanto, devido ao receio de sofrer represálias, tanto na esfera virtual quanto em decorrência do choque causado pelo acidente e pela notícia do falecimento do motorista do outro veículo, foi necessário o seu resguardo.

Fonte: https://agendadopoder.com.br/policia-pede-prisao-preventiva-de-dono-do-porsche-que-matou-motorista-de-aplicativo-seis-dias-depois-do-acidente/