18 de julho de 2024
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A Polaris é a Estrela do Norte no hemisfério Norte (onde ficam os Estados Unidos, por exemplo). E continuará sendo por um bom tempo. Mas não eternamente. Em 20346, o sistema binário de estrelas Thuban assume o posto de Estrela do Norte da Terra. Ou melhor: reassume o posto.

Para quem tem pressa:

  • Polaris, que atualmente fica perto do Polo Norte geográfico, serve de Estrela do Norte há séculos. Mas nem sempre foi assim. Antes dela, Thuban ocupava essa posição (entre 3942 e 1793 a.C) e a reassumirá em 20346, devido à precessão axial da Terra;
  • A precessão axial, um bamboleio no eixo da Terra, faz com que diferentes estrelas se alinhem ao Polo Norte geográfico num ciclo de aproximadamente 26 mil anos;
  • A alternância entre Polaris e Thuban como Estrela do Norte ilustra como a precessão axial afeta nossa percepção celestial e influencia a navegação ao longo dos milênios.

A Polaris, que fica a aproximadamente um grau de distância do Polo Norte geográfico, tem sido usada na navegação (do hemisfério Norte) por séculos. Ou seja, quando alguém quer checar do jeito raiz onde o Norte fica, procura por ela no céu. Mas a Polaris nem sempre foi a referência para o ponto cardeal. Esse título já foi detido pelo sistema Thuban, que estava mais próximo do Polo Norte geográfico entre 3942 e 1793 a.C.

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Estrelas do Norte

(Imagem: Suti Stock Photo/Shutterstock)

Thuban, nome dado no Antigo Egito e que significa “cabeça da serpente“, consiste numa estrela gigante branca 2,8 vezes mais massiva que o Sol. E ela conta com uma estrela secundária que se pensa ser de sequência principal do tipo A, também conhecida como anã A. Esta é um pouco menos massiva, mas ainda passa o Sol (é cerca de 2,6 vezes mais massiva).

A razão pela qual Thuban costumava ser, e um dia será novamente, a Estrela do Norte tem a ver com a precessão axial da Terra. Para entender, imagine a Terra como um pião gigante girando no espaço. Esse pião não está perfeitamente reto, ele tem um leve bamboleio causado pela forma e pelas forças que atuam nele, como a gravidade da Lua e do Sol. Esse bamboleio é a precessão axial.

A precessão é como se o eixo da Terra desenhasse um círculo no céu, com um raio de 23,4 graus, ao longo de um período de cerca de 26 mil anos. Isso significa que, ao longo desse tempo, o eixo da Terra aponta para diferentes direções no espaço.

Pessoa apontando para vórtex de estrelas no céu
(Imagem: Mike Ver Sprill/Shutterstock)

A chave para entender a alternância no posto de Estrela do Norte é: quando o eixo da Terra aponta na direção certa, uma estrela específica fica bem próxima desse eixo. No passado, Thuban estava nessa posição, então era a Estrela do Norte. E no futuro, devido à precessão, ela voltará a ocupar essa posição.

Então, é como se a Terra estivesse girando lentamente e apontando para diferentes estrelas ao longo de milhares de anos. E Thuban tem a sorte de ser uma dessas estrelas que, de tempos em tempos, recebe o título de Estrela do Norte por causa desse movimento peculiar da Terra. É o que a NASA explica.

Já no Hemisfério Sul, onde fica o Brasil e nenhuma estrela particularmente brilhante se destaca, o Cruzeiro do Sul assume a função de Estrela do Norte. Ou seja, é usada por quem procura o Sul (o ponto cardeal, no caso).

O post Thuban: A antiga Estrela do Norte que voltará a brilhar (muito) apareceu primeiro em Olhar Digital.

Fonte: https://olhardigital.com.br/2024/04/10/ciencia-e-espaco/thuban-a-antiga-estrela-do-norte-que-voltara-a-brilhar-muito/